Manutenção da aliança PT/PSB e um fétido odor de oportunismo político

Com objetivo de contribuir com o debate sobre a manutenção ou não da coligação que reelegeu a prefeita Luizianne Lins (PT), o professor João Arruda, da UFC, manda artigo para o Blog. O título é “A Cidade de Fortaleza e a Coligação PT, PSB, PCdoB, PMDB…” Confira:

A imprensa do nosso estado e as redes sociais têm dedicado um espaço cada vez maior discutindo a continuidade ou não da exótica coligação PT-PSB-PCdoB… e a sua conveniência, tendo em vista o interesse do município. Há ardorosos defensores da sua continuidade – os que advogam a permanência do status quo administrativos da cidade – e há os que defendem uma ruptura nessa coligação, avaliando que a cidade é mal administrada e  acreditando no surgimento de um projeto de cidade que esteja sintonizado com os anseios da maioria dos nossos munícipes. Como fortalezense, somos dos que se posicionam pelo seu imediato rompimento, pois entendemos que nada justifica a sua continuidade. Ela nunca existiu como tal e a sua continuidade será motivada por um pragmatismo eleitoreiro que tem um fétido odor de oportunismo político.

Ora, do ponto de vista doutrinário, uma coligação partidária é uma união de forças políticas que visam os mesmos objetivos: a vitória eleitoral e a hegemonia do poder em disputa. Essa aliança pressupõe que os partidos envolvidos possuem afinidades programáticas, têm um projeto
político-administrativo comum e que devem funcionar como uma agremiação partidária durante o tempo em que durar a coligação.

Estes pressupostos nunca balizaram a formação da nossa esdrúxula coligação. Pelo que temos observado no atual condomínio político de Fortaleza, a realidade é diametralmente oposta: os principais parceiros não dialogam, os partidos que formam a coligação possuem orientações
doutrinárias extremamente divergentes e as verdadeiras motivações da grande maioria dos membros da coligação foram a de poder compartilhar das benesses do poder. A própria escolha e montagem do staff administrativo não respeitou os pressupostos que deveriam legitimar a coligação: a prefeita simplesmente loteou a máquina administrativa entre os partidos coligados e, em contrapartida, passou a exigir apoio político incondicional dos confederados.

O exemplo emblemático da não-coligação é a relação conflituosa que marca o cotidiano do não-diálogo entre prefeitura e o governo estadual. Não é por acaso que a cidade de Fortaleza nada ganhou com essa coligação. Só a título de exemplificação, em reunião recente do PSB municipal, o chefe de Gabinete do Governo, secretário Ivo Gomes, reclamava de que, mesmo o Governo Estadual tendo investido mais de cinco bilhões de reais na cidade, mais do que o governo municipal investiu em quase oito anos, a administração Cid Gomes tem sofrido um irracional e sistemático boicote por parte da administração municipal. Por esses e outros motivos, concluímos que a continuidade dessa inominável coligação só ocorrerá por irresponsabilidade política e por um aético e fétido oportunismo político.

* João Arruda, Sociólogo e Professor da UFC.

joaoarruda@ufc.br

Eliomar de Lima

Sobre Eliomar de Lima

Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando. Pra não dizer que fugimos do mundo da intelectualidade, temos Especialização em Gestão da Comunicação. Email:eliomarmar@uol.com.br / eliomardelima@gmail.com

6 comentários sobre “Manutenção da aliança PT/PSB e um fétido odor de oportunismo político

  1. O valor de investimentos do estado na capital cearense apresentado pelo Dep. Ivo Gomes, chefe do gabinete do governo, fala o quanto Cid Gomes tem apreço a população de Fortaleza. Foram mais de 5 bilhões de reais aplicados em melhorias da qualidade de vida dos fortalezenses. Isso somado a uma administração municipal também comprometida com a população, resulta positivamente. Então o que precisa ser feito é uma junção de forças a favor de Fortaleza. O PT tem que levar isso em consideração no momento da decisão de apresentar o nome do candidato. Não pode ser qualquer um, tem que ser um bom nome, e com ótimo relacionamento com o governo estadual.

  2. O professor João Arruda explica algo sem explicação para o senso comum da opinião pública. A coligação será plausível após as críticas mútuas entre os aliados de longa jornada.

  3. Esse João Arruda é o mesmo que utiliza-se de espaço público ( Casa amarela da UFC) para ganhar dinheiro para filha e para si? Que exemplo de ética pública… Realmente esse homem zela pela busca do purismo doutrinário!!!!!

  4. Até que fim alguem sintetizou o que realmente representa a tal aliança,denominada eleitoralmente de coligação.O que realmente existeé um ajuntamento de políticos inescrupulosos,que sob o pálio de aliança,ninguem critica ninguem,ficando cada um no seu quadrado.No mundo dos fatos se asemelham aqueles ladrões que delimitam seus territórios,e ninguem entrega ninguem.O eleitor foi enganado todo esse tempo com a farsa da aliança em favor do estado,do município e da união.Vem desde a campanha para presidente.Sem querer menosprezar a capacidade cognitiva do eleitor,mas nãoé possível que ainda caiam na fraude aliancista dos dois gestores maior do Ceará.

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