Blog do Eliomar

Um debate sobre o Ronda do Quarteirão

Neste sábado, a professora Fátima Vilanova, da Uece, traz artigo sobre o Ronda do Quarteirão no O POVO. Interessante para um bom debate. Confira:

O Programa Ronda do Quarteirão constitui uma iniciativa emergencial importante de enfrentamento da violência, implementada pelo governo Cid Gomes. Ele não ataca as raízes do problema, que são as drogas e armas em poder de marginais, a cooptação pelos bandidos de crianças e jovens para o tráfico, a impunidade, a carência de políticas públicas de inclusão social. Mas o Ronda do Quarteirão representa um divisor de águas ante a letargia dos governos anteriores.

Passado pouco mais de um ano, vem a público as práticas truculentas de alguns policiais do Ronda, os delitos, a depredação de equipamentos dos veículos para vigilância e controle dos ocupantes, e a falta de celeridade na apuração dos fatos. O governador acerta por não se eximir das responsabilidades, não minimizando as denúncias, convocando a população para fiscalizar de perto o Programa, cobrando agilidade da Corregedoria na punição exemplar dos culpados.

Para que o Ronda do Quarteirão cumpra o seu papel de “polícia da boa vizinhança”, de uma polícia cidadã, entretanto, faz-se necessário maior duração da qualificação dos profissionais, exigindo-se equilíbrio psicológico e comportamento ético, além de propiciar-lhes melhores condições de trabalho. Não só para os policiais do Ronda, mas para toda a corporação.

A jornada de trabalho de 48 horas é estafante, desumana, face à periculosidade, à tensão constante a que estão submetidos os trabalhadores. A justificativa do governo não satisfaz – de que não pode reduzi-la por falta de efetivo. Que abra concurso público, então, destinando mais vagas para cobrir a demanda existente. O certo é que a jornada de trabalho não deveria exceder a 40 horas semanais, garantindo-se, assim, a reposição das energias da tropa e o convívio com a família, o estudo e o lazer. Estas deveriam ser as prioridades, visando a uma boa avaliação, tanto do desempenho do Ronda e dos demais policiais, quanto do governo estadual.

Fátima Vilanova – Doutora em Sociologia e vice-presidente da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO Nacional)
mfatimavilanova@gmail.com