Blog do Eliomar

Clima de divisão no DEM do Ceará. Dirigentes apontam para subserviência

chiaquinho

Este Blog recebeu, nesta segunda-feira, nota assinada pelo vice-presidente regional do DEM, Ruy Câmara, e pelo secretári0-geral da legenda, Erivelto de Souza, questionando o comportamento do presidente regional Chiquinho Feitosa. Estaria ele muito centralizador e não prestigiando os democratas da casa. Confira:

Prezado(a)s Democratas do Ceará:

Pedimos alguns minutos da sua atenção para expormos, nestas poucas linhas, as nossas preocupações com relação aos rumos do nosso partido no já iniciado processo eleitoral nacional e local.

Nacionalmente o DEM é um partido de oposição ao PT, e também aos governos que formam a base de apoio da candidata petista à sucessão do presidente Lula. Essa é, de forma clara e inconteste, a linha programática do nosso partido para as eleições que se aproximam.

O Ceará inteiro é testemunha de que o DEM-CE foi, historicamente, um partido que, apesar da escassez de recursos e da ausência de grandes apoiadores, sempre disputou em condições favoráveis eleições majoritárias no Estado e até bem pouco tempo era respeitado pelo seu posicionamento e pela força do nosso debate com a sociedade.

Nas últimas eleições enfrentamos com Moroni Torgan as três máquinas públicas (federal, estadual e municipal) e, apesar das dificuldades de toda ordem, debatemos todos os temas e deixamos um legado de projetos consistentes que estão sendo implementados no Ceará, tais como: o Ronda do Quarteirão, o Pai, os Programas de modernização da Guarda Municipal, os Programas para a Juventude, os Centros de Cultura e Arte, dentre outros.  

Mas os rumos mudaram durante a atual gestão e desde a posse da nova Executiva Estadual o partido vem definhando e praticamente deixou de existir enquanto força política de oposição no Ceará. Em conseqüência dessa subserviência objetivada, o presidente tem evitado reunir o partido e nenhuma decisão partidária é tomada às claras, razão pela qual o DEM-CE vem se transformando numa legenda secundária, sem representação política autêntica, sem presença social e até mesmo sem candidatos para disputar as próximas eleições, seja ao Governo, ao Senado ou mesmo para ganhar uma vaga na Câmara Federal.

Recentemente o DEM-CE perdeu a única representação que possuía na Assembléia Legislativa do Ceará e sequer despendeu esforços em defesa dos seus direitos partidários. Com isso desmoralizou-se inclusive perante a justiça Eleitoral e agora é um partido que no Ceará só existe simbolicamente – como uma rubrica orçamentária trimestral – e tal condição em nada contribui para a democracia política e o empobrece por falta de rumo, de discurso e de autonomia para traças seu próprio caminho.

Como sabemos, partido de oposição que faz oposição nem disputa eleição, está condenado à nulidade da sua função social e política. Nesse aspecto a gestão do presidente, Chiquinho Feitosa, foi mais longe com a demolição: retirou do nosso partido até mesmo a sua fundamentação partidária, já que eliminou o debate e o convívio democrático entre seus membros e espantou a militância que havíamos construído no passado às duras penas. Ou seja, o DEM-CE, hoje refém de interesses difusos, tornou-se um partido raquítico em estrutura; esvaziou-se em conteúdos programáticos, ficou nanico em sua expressão política local e ainda por cima vem sendo desmerecido pelos observadores da política como uma sublegenda de aluguel.

Esse é um quadro triste e deprimente para um partido que poderia ser a vanguarda da política local e isso, de certa forma, nos compromete pela falta de posicionamento e pela forma como o partido definha a olhos vistos.

Até o momento temos evitado fazer qualquer tipo de comentário à imprensa, em primeiro lugar porque temos responsabilidade e compromisso com a ética partidária; em segundo lugar porque acreditamos que essa iniciativa reflete bem a preocupação e insatisfação de uma parcela dos democratas do Estado; e em terceiro lugar porque não é bom nem prudente que o partido desmereça pessoas que ao longo dos anos militaram e se empenharam nas lutas que travamos.

Nem precisamos lembrar que um partido político, que se mantém com verbas públicas, não pode ser confundido como um latifúndio ou minifúndio confiado à prepostos. Partido político é uma agremiação que objetiva congregar pessoas dispostas a pensar sobre os mais diversos temas de interesse coletivo, sem perder de vista sua autonomia para disputar o poder.   

E se depender da nossa disposição, a campanha presidencial de 2010 será dura, marcada por críticas severas aos desmandos do governo Lula. Para tanto, precisamos abandonar o discurso conciliador e partirmos para o confronto de idéias ao lado do PSDB e PPS. Como diz o Deputado Rodrigo Maia: “Ou vamos para o confronto, ou perderemos mais uma vez para a camarilha petista”.

O palanque do DEM será o palanque de José Serra ou Aécio Neves, e esperamos que desta vez os líderes dos PSDB no Ceará não adotem uma posição difusa em relação ao candidato à presidente pelo seu partido. Sem sombra de dúvida, o PSDB, DEM e PPS são partidos convergentes e não podem, à pretexto de qualquer interesse, estabelecer negociações diagonais com os partidos ou lideranças locais que defendem a candidatura da petista Dilma. 

É importante para a unidade que se forma, que adotemos uma postura clara e inquestionável de oposição nacional e local, pois nessas eleições não haverá margem para ambigüidades ou mimetismos. Nesse sentido, é premente que o PSDB do ceará defina claramente qual será o seu palanque se por ventura o deputado Ciro Gomes vier a entrar na disputa presidencial.     

Essas linhas não podem ser consideradas como uma crítica pessoal ao presidente Chiquinho Feitosa, muito menos é endereçada aos nossos aliados políticos, mas deve ser entendida como uma reflexão consciente e bem intencionada para que possamos definir coletivamente o rumo de um partido que historicamente teve voz, autonomia, disputou eleições majoritárias a esteve sempre presente em todos os debates de interesse da sociedade.  

Saudações Democráticas

Ruy Câmara – Vice-Presidente

e Erivelto de Sousa – Secretário Geral