Blog do Eliomar

Ex-titular da SSPDS diz que sofreu boicote

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“Por 57 meses, o general gaúcho Cândido Vargas de Freire foi secretário de uma das pastas que sempre figura entre as mais problemáticas de todo governo. Ele foi o homem da Segurança Pública em duas das três gestões do governador Tasso Jereissati, hoje senador – de abril de 1997 a dezembro de 1998 e de novembro de 1999 a dezembro de 2002. Não foi pouco tempo, muito menos foi moleza o que o ele passou por aqui no cargo. O general penou.

Nestas Páginas Azuis, Vargas confirma que policiais contrariados chegaram a boicotar sua gestão simulando assaltos a carro-forte no Centro de Fortaleza. É a primeira vez que admite isso publicamente. Não deu nomes de quem estava tão raivoso, mas as entrelinhas sugerem uma estrutura poderosa. O episódio que o general usou para ilustrar foi um ataque de supostos assaltantes ocorrido na porta de um banco privado, em plena rua Barão do Rio Branco, ocorrido em maio de 2000. Com tiroteio e tudo.

“Infelizmente, isso era normal aí“, afirmou. Vargas contou também que o governador Tasso recebia informações reservadas da Casa Militar de que a família corria risco de sequestro e isto, segundo ele, não era uma verdade absoluta. “E eu dizia: -Não tem nada disso, governador-. Quer dizer, o pessoal usa do cargo para passar informações erradas para se manter, entendeu?“, avalia, sobre o passado recente.

Do que enfrentou no cargo, o general lembra que logo de cara veio o “Caso França“, a série de denúncias feita pelo agente João Alves de França em 1997 contra colegas policiais civis, militares e dos Bombeiros. O policial disparou nomes e detalhes da rede de corrupção, extorsão, assaltos, roubos de carros, tráfico de drogas e armas. Agiam protegidos por seus distintivos e fardas. Vargas chegou quando o ventilador do “Caso França“ espalhava tudo isso. Até hoje, sua decepção é que tanta denúncia (muitas com fundamento, segundo ele descreve) tenha dado em nada. “Lamentavelmente digo: a maior tristeza minha e do governador (Tasso), nenhum foi punido“.

Outro abacaxi que Vargas precisou descascar foi a greve dos policiais, três meses depois de sua primeira posse. Relembra quando a tropa saiu às ruas em passeata: “Aquela greve terrível. Os policiais bêbados, fardas rotas, com o rosto tapado“. O governo não aceitava negociar naquele cenário posto.

O general admite mágoa com quem o sucedeu, o delegado federal Wilson Nascimento, do governo Lúcio Alcântara. Disse tê-lo chamado para passar o cargo e não teve o convite atendido, além de ouvir o sucessor falar mal de sua gestão. Mágoa “profunda“ por ser um governo do mesmo partido, o PSDB. Nesta entrevista, Cândido Vargas também fala (muito) de seus feitos, reafirma a defesa de unificação das polícias e discorre sobre outros bastidores daqueles seus dias de secretário. Não há comentários sobre a gestão atual, mas é possível fazer comparações (e ver muitas semelhanças) dos dois momentos. ”

* Leia a integra no O POVO aqui.