Blog do Eliomar

Prefeitura quer transformar Pirambu numa Copacabana

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Eis artigo do jornalista Magela Lima, com o título “Ai de ti, Pirambu!”. Ele comenta promessa da Prefeitura de Fortaleza de transformar esse bairro da cidade numa verdadeira Copacabana. Confira:

Políticos, via de regra, mentem. Mentem, não. Que diga, falam assim sem protocolo: apresentam ideias aleatórias como se fossem projetos milimetricamente definidos. Na última semana, fiquei sabendo de uma dessas ideias, que, pela verborragia, parece lorota ou coisa fantasiosa, mas, posso garantir que faz todo sentido. José Meneleu, coordenador da Secretaria de Planejamento e Orçamento de Fortaleza (Sepla), sinalizou que a Prefeitura quer transformar o nosso Pirambu em Copacabana.

De longe, a gente nasce, cresce, se reproduz e morre, achando Copacabana, no Rio de Janeiro, um paraíso. De perto, a realidade é outra. Morei lá, e sei. Os cariocas torcem o nariz para o bairro. Na famosa cidade maravilhosa, Copacabana é lugar ruim de se morar. O motivo? Inchaço populacional, sobretudo. Copacabana é um espremido de gente sem fim. Gente que mora lá, trabalha ou passa por lá todos os dias. Não bastasse o comércio intenso, o bairro, um dos mais extensos da orla, é cortado por apenas quatro ruas paralelas ao mar.

Toda essa combinação, fez com que os cariocas da gema buscassem outras praias. Eles têm, sim, todo o direito de querer uma rotina mais tranquila. No entanto, é errônea a constatação de que Copacabana é bairro dormitório ou mero ponto de trabalho. É mais. Há uma população imensa que migra para aquela região justamente pelas vantagens que acompanham essa urbanidade aparentemente desenfreada. As três estações de metrô que o bairro possui, por exemplo, são um alento diante dos famigerados congestionamentos.

Diante disso, querer espelhar nosso Pirambu na Princesinha do Mar não é nenhum absurdo. Altas densidades populacionais necessitam de infraestrutura diferenciada e, acredito eu, é nisso que a Prefeitura fala quando insiste na comparação. Claro, Copacabana, diferente do Pirambu, nunca foi periferia. No entanto, é uma ex-área nobre, o que, na lógica das cidades brasileiras tem status muito mais pejorativo, basta ver a degradação do Catete lá no Rio ou da nossa Jacarecanga. É fato: as cidades têm vida própria, mas cabe aos Governos controlar seus destinos.

Magela Lima – Editor-executivo do Núcleo de Cultura e Entretenimento

magela@opovo.com.br