Blog do Eliomar

Patrícia Saboya e o Dia Internacional da Mulher

Há exatamente 101 anos, foi instituído o Dia Internacional da Mulher em 08 de março como mais uma aquisição em busca da igualdade social digna entre os gêneros. São inegáveis os avanços obtidos pelas mulheres brasileiras ao longo dos últimos anos – desde a conquista pelo direito de votar e ser votada até a emancipação no campo dos costumes e na vida profissional. Somos mais da metade da população brasileira e 45% da força de trabalho.

Hoje, 37% das famílias do nosso País são chefiadas por mulheres. Ocupamos postos de destaque no comércio, na indústria, na agricultura, no serviço público e, é claro, também na política.

Existe, porém, um espaço enorme para avanços. Apesar das conquistas no mundo do trabalho, é ainda elevado o número de mulheres que trabalham em condições precárias. Somos maioria nos subempregos e no setor informal da economia, especialmente na categoria de empregadas domésticas.

As taxas de desemprego são maiores no universo feminino e a distância salarial entre homens e mulheres permanece, embora venha diminuindo nos últimos anos. Além disso, ainda recai sobre as mulheres a maior parte das tarefas domésticas e familiares. Precisamos mudar esse cenário. Uma das maiores dificuldades das mulheres contemporâneas é justamente a conciliação entre as múltiplas tarefas que desempenham na sociedade. É encontrar o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal.

Outro desafio é o de criar filhos no mundo de hoje, cada vez mais complicado, violento e mergulhado numa profunda crise de valores. Uma das nossas mais importantes missões é formar cidadãos e cidadãs preparados para construir uma sociedade melhor, mais justa, mais humana e mais solidária.

Porém essa luta ainda não chegou ao fim, apesar desse “tempo moderno” em que vivemos a igualdade entre os gêneros ainda é destoante. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada neste mês, na região metropolitana de Fortaleza as mulheres com curso superior completo ainda ganham 57% do salário do homem, e mesmo com o crescimento feminino em áreas “intituladas” masculinas, como a construção civil, a participação delas no mercado de trabalho estagnou.

Outro dado alarmante é a violência doméstica, mesmo com o crescimento de denúncias e a Lei Maria da Penha em vigor, os números ainda preocupam. A pesquisa Mulheres Brasileiras e gêneros nos espaços públicos e privados, revela que a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil, chegando a conclusão que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressão. Esses estudos dão apenas uma ideia de quanto às mulheres ainda são desamparadas e desprotegidas no nosso país, principalmente nas camadas mais pobres da população, alavancando outros problemas como a exploração sexual, muitas vezes iniciada na infância.

Deixando um pouco o pessimismo de lado, porém sem esquecer a latente realidade, considero a busca feminina pela cidadania umas das lutas mais belas que a história há de contar, acreditando que os avanços da sociedade durante todos esses anos contribuíram para isso, e o importante papel das políticas públicas no Brasil que se consolidam cada dia mais no que se refere às mulheres, exaltando sua participação em diversos setores e enaltecendo seus direitos. Em uma humilde reflexão, posso até falar da minha contribuição nessa luta: batalhando por creches, pré-escola; combatendo com veemência a violência doméstica; assegurando os direitos dos seus filhos; aumentando a  licença-maternidade para seis meses, são alguns exemplos. Mas sabemos que há muito a fazer.

Entretanto, é importante destacar o momento das mulheres no nosso país: maior  presença na vida pública. Isso foi uma conquista para a democracia que ajuda a fortalecer as instituições e toda a sociedade. E acreditamos que o caminho aberto com a posse de uma presidente mulher proporcionará, em breve tempo, maior participação de mulheres em todos os setores da sociedade.

Queremos, pois, festejar com todas as mulheres os avanços conquistados pelas mulheres e muitas lutas que ainda estão em curso, na defesa dos interesses das mulheres- mães; das mulheres-filhas; das mulheres-vovós; das mulheres-jovens e adultas; das mulheres que trabalham e das que buscam trabalham; das mulheres que são em todo seio familiar, o coração, a alma, o sentimento, a ternura, o amor e a fortaleza do lar.

Patrícia Saboya, deputada estadual