Blog do Eliomar

Caravana da Anistia julga processos no Recife. Na lista, Geraldo Azevedo

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“Vinte e um pedidos de anistia de pernambucanos, entre eles o do músico Geraldo Azevedo, estão sendo julgados, na sexta-feira. É a realização da 51ª Caravana da Anistia, realizada pelo Ministério da Justiça em parceria com a Prefeitura do Recife, Governo do Estado, Ordem dos Advogados do Brasil/PE, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o Movimento Tortura Nunca Mais, além de diversas organizações sociais. A sessão de apreciação dos pedidos de anistia acontece, na Assembléia Legislativa de Pernambuco. No estado, em outras duas Caravanas, foram julgados 54 processos, como os de Paulo Freire, Dom Hélder Câmara e de Miguel Arraes.

Geraldo Azevedo teve a música “Canção da despedida”, composta em parceria com Geraldo Vandré, censurada em 1968. Foi preso em outubro de 1969 pela Marinha do Brasil e permaneceu detido até dezembro do mesmo ano. Foi preso novamente em 7 setembro de 1975 sendo levado ao DOI-CODI e libertado no dia 18 do mesmo mês. Relata que sofreu torturas nas duas vezes em que foi preso.

Além do pedido de anistia de Azevedo, outros dois processos se destacam: o de Francisco Julião e o de Theodomiro Romeiro dos Santos. Julião é advogado e jornalista, além de ter sido um dos fundadores das Ligas Camponesas, organização que lutava pela reforma agrária. Foi eleito deputado federal e teve seu mandato cassado por conta do Ato Institucional nº 1, em 1964. Foi preso no mesmo ano e após 18 meses teve o habeas corpus concedido pelo STF. Exilou-se no México e só retornou ao Brasil após 15 anos em virtude da Lei de Anistia 6.683/79.

 Santos, hoje juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, foi preso em 27 de outubro de 1970 e condenado à morte pela Justiça Militar. Sua pena foi posteriormente convertida à prisão perpétua em 1971 e posteriormente para 18 anos. Em agosto de 1979, fugiu da penitenciária da Bahia e conseguiu asilo na Nunciatura Apostólica, onde obteve salvo-conduto para o exterior. Theodomiro Romeiro dos Antos regressou ao Brasil somente em 1985.

(JC Online)

DETALHE– Há um cearense participando do julgamento desses processos. É Mário Albuquerque, membro da Comissão Nacional da Anistia, do Ministério da Justiça.