Blog do Eliomar

Caso dos consignados – “Relações perigosas e, talvez, criminosas?”

189 5

Com o título “Relações perigosas e, talvez, criminosas”, eis a Coluna Política, de Érico Firmo, no O POVO deste sábado. Aborda o caso dos consignados no Estado. Confira:

Pode ainda não haver certezas acerca de como se deu a operação, mas a postura do próprio Governo do Estado deixa evidente o bastante que há algo de muito errado nas operações dos empréstimos consignados para servidores públicos. Em momento algum ao longo de cinco anos e três meses de gestão pôde-se perceber postura tão incisiva em relação a assuntos internos. A começar pelas palavras do governador Cid Gomes. Quando a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) manifestou o descontentamento em relação às tentativas de explicações da Administradora Brasileira de Cartões (ABC), indicou, também, onde está o problema. Na nota divulgada na quinta-feira, a ABC fala sobre seus vínculos com o Estado. Mas o alvo do questionamento é posterior: os elos entre ela, vencedora da licitação, e outras empresas credenciadas por ela para operar os consignados. Esse é o ponto crucial. “O que queremos é que a ABC mostre como funciona sua rede de relacionamentos na concessão do crédito consignado”, disse o secretário Eduardo Diogo. Pelo tom adotado nas manifestações da Seplag e, sobretudo, do governador, fica aparente que a pergunta é feita como se já se soubesse a resposta. Há mais de seis meses, são públicas as denúncias de favorecimento a empresa de Luis Antonio Ribeiro Valadares, genro do secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho. Tal empresa, ainda segundo a denúncia apresentada pelo deputado estadual Heitor Férrer (PDT), seria detentora da quase totalidade do mercado de consignados para servidores estaduais.

O RECADO É CLARO

As declarações de Cid Gomes no O POVO de ontem, sobre os empréstimos, têm endereço inequívoco. “Não permito tráfico de influência e não permito desonestidade”. Ora, a denúncia que há de tráfico de influência seria para favorecer Valadares. O processo para elucidar o caso está sendo conduzido pela Seplag. E o governador tratou de blindar a pasta e seu titular. “Ninguém tem ingerência sobre a Secretaria do Planejamento, só o Eduardo Diogo. No meu governo, não permito um secretário interferir na secretaria do outro”. Dessa forma, ele assegura autonomia de ação ao responsável pela gestão dos servidores do Estado. Além disso, fortalece Diogo e o resguarda de interferências externas. Mas, que outro secretário poderia ter interesse em se meter nessa seara? Quem poderia ter intenção de interferir no trabalho da Seplag? Onde poderia haver motivação para eventual ingerência? Pelas informações públicas, a única resposta possível é a Casa Civil do Governo do Estado. Observe-se, Cid não falou que isso estava acontecendo. Mas deixou recado cristalino de que não irá tolerar que isso ocorra. O destinatário da declaração parece bastante óbvio.

A FORÇA DA SEPLAG

A grande diferença política que se processa na administração estadual é a aproximação entre Eduardo Diogo e o gabinete do governador. A pasta sempre foi estratégica, mas ganhou peso extra com Cid Gomes. O atual formato é resultado da fusão da antiga Seplan com a extinta Secretaria da Administração. Daí surgiu um núcleo gestor responsável pela formulação de como será gasto o dinheiro do Estado e, também, cuidar do abacaxi que é administrar o funcionalismo. Está no centro nevrálgico da gestão da máquina. Eduardo Diogo foi o último secretário anunciado por Cid para seu segundo mandato. Ele repete que seu único vínculo é com o governador. Como resultado dessa proximidade e da ausência de outros vínculos e padrinhos políticos, nunca a área do Planejamento foi tão próxima do Palácio quanto hoje. Em virtude dessa sintonia, Diogo rapidamente se tornou um dos personagens mais influentes da administração.

BLINDAGEM

A primeira secretaria do Planejamento de Cid foi Silvana Parente. Ela chegou com credencial de quem havia trabalhado com Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional e, apesar do trabalho bem avaliado, pediu demissão. Ela argumentou que iria estudar, mas o real motivo foram os conflitos com Arialdo Pinho. Ela se afastou em 2009, mesmo ano no qual foi lançado o cartão único e quando a ABC foi contratada. O mais provável é que seja mera coincidência. De todo modo, de conflitos com colegas de secretariado Eduardo Diogo está resguardado pelo respaldo do governador.

VAMOS NÓS – Essa história está parecendo que o governo estadual foi traído por alguém de dentro do governo. Esquisito. Querem eleger algum Judas?