Blog do Eliomar

A prefeita tem razão

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Em artigo no O POVO deste sábado (23), o editor adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, comenta do dilema na greve dos motoristas, quando políticos na gestão pública de forma traumática tiveram que refazer posições anteriores para se adaptar às novas situações. Confira:

A prefeita Luizianne Lins tem razão ao afirmar que a greve de trabalhadores em transporte coletivo de Fortaleza possui conotação política. Nada justifica que não se chegue a bom termo nas negociações ao verificarmos as reivindicações dos grevistas e o que oferece o sindicato patronal. A diferença é irrisória em comparação ao transtorno que a paralisação está causando ao fortalezense.

Achar, todavia, que haja alguma coisa orquestrada para beneficiar a futura candidatura de Renato Roseno (Psol) à prefeitura, pelo fato de o movimento ter como líderes pessoas ligadas ao PSTU, já é ir muito longe. Seria inflar demais as possibilidades do candidato no pleito eleitoral, principalmente ao levarmos em conta a alta rejeição que a paralisação gera na população.

O que Luizianne esquece, ou faz questão de esquecer, é que há movimentos reivindicatórios que pouco ou quase nada tem de respeito pela população. Se vangloriam de lutar por melhorias para suas categorias, mas reproduzem em escala bem maior ações as quais dizem lutar contra. São truculentos, ardilosos e nada afeitos ao jogo democrático. E o que é pior, se fazem de vítimas.

Quanto ao último ponto, não há nada mais covarde do que se fazer de vítima manipulando situações para tentar convencer pessoas que não possuem discernimento para produzir leituras críticas.

A consequência de atos do gênero é que quando essas lideranças são colocadas à prova, em postos de decisão, não conseguem se desvencilhar das teias que eles próprios ajudaram a tecer. Como consequência, viram marionetes de si mesmos, se deixando levar para o lado que a corda puxa. Quantos que estão na política hoje não forjaram suas trajetórias à base da dissimulação e do discurso fácil? Quantos, agora nas gestões públicas, não tiveram que de forma traumática refazer posições anteriores para se adaptar as novas situações?

São exemplos assim que descredenciam a política como arte da busca pelo bem comum. Uma pena.