Blog do Eliomar

Aprovação de Dilma não esconde drama na saúde

Em artigo no O POVO deste sábado (30), o editor adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, comenta a contradição da aprovação do governo Dilma com os índices desfavoráveis ao País. Confira:

A pesquisa CNI-Ibope divulgada ontem sobre a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff indica o aumento da aprovação para o maior patamar já alcançado até agora. Segundo os responsáveis pelo levantamento, a redução das taxas de juros teria sido o ponto que mais influenciou na aprovação da presidente.

A ação do governo para diminuir os juros levou a avaliação da política das taxas de juros, uma das nove áreas de atuação do governo pesquisadas, a subir 16 pontos percentuais entre março e junho, passando de 33% para 49% da população.

Na contramão desses índices, no entanto, pioraram os das políticas de saúde (66% da população desaprova, maior percentual de desaprovação, que pertencia aos impostos, contra 63% em março) e educação, no qual a desaprovação subiu de 49% para 54%.

Para além dos números gerais de aprovação, portanto, um dos aspectos mais importantes da pesquisa é justamente o que diz respeito à saúde. Meses antes de Dilma assumir, a área já era tida como a de pior avaliação. De lá para cá, só fez cair nas pesquisas, por mais que o Governo tenha procurado lançar programas e mais programas.

O grave é que o sistema de saúde no País, tanto público quanto privado, não apresenta perspectiva de melhora.

O sistema privado, que poderia funcionar como elemento complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS), tem apresentado quedas consideráveis de qualidade, ao passo que cada vez se torna mais proibitivo. Ontem mesmo, a imprensa divulgou que o reajuste dos planos de saúde deverá ficar acima da inflação para compensar o que definem como ajustes para manter a qualidade do atendimento.

Mas que qualidade?

Com o crescimento da expectativa de vida da população brasileira e o alargamento do topo da pirâmide, refletindo a estrutura de população mais envelhecida, é preciso que se olhe esse problema em termos de futuro, sob pena de em pouco tempo estarmos vivendo um descontrole no modelo de saúde no País. Se é que já não estamos.