Blog do Eliomar

Editorial do O POVO aborda as propostas mirabolantes dos senhores candidatos

Com o título “Propostas dos candidatos a prefeito: no reino da fantasia”, eis o  Editorial do O POVO desta terça-feira. Coincide com a semana em que se inicia a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Em matéria publicada, ontem, O POVO demonstrou a inconsistência de propostas apresentadas por candidatos a prefeito de Fortaleza, em termos de viabilidade financeira. Não basta só apresentar projetos impressionantes e arrojados: é preciso demonstrar claramente de onde provirão os recursos para viabilizá-los.

Pelas respostas da enquete apresentada aos candidatos pelo jornal prevalece a impressão de fantasia. Ora, cada proposta tem de ser cotejada com a realidade financeira do município de Fortaleza. Será preciso demonstrar o que este dispõe em termos de recursos financeiros e porque não realiza a proposta do candidato: se não o faz por incompetência ou por impossibilidade absoluta. Não é isso, porém, o que têm feito os candidatos.

Vamos pegar só um exemplo: a questão do atendimento médico na rede pública, sem qualquer dúvida um dos fatores de maior aflição para a povo. Construir mais hospitais sem resolver o problema do atendimento primário, nos postos de saúde, e sem dar uma sistemática mais eficiente à administração do sistema de atendimento mais complexo, já existente, parece contraproducente não só do ponto de vista lógico, mas financeiro.

Quando, por exemplo, as pessoas mais carentes correm para o IJF em busca de atendimento de urgência não traumática, isso se deve à falta de outros hospitais, ou à incapacidade dos existentes em atendê-las? Pode não ser um trauma, mas uma vesícula prestes a ser estrangulada e é letal, se não atendida com presteza (neste fim de semana ocorreu um caso no IJF). Ora, a lógica é que seja imediatamente encaminhada para uma sala de cirurgia e, se não der tempo para chegar à unidade específica, tem de ser operada ali mesmo, pois o que importa é salvar uma vida. Mas a verdade é que muitas pessoas terminam morrendo, vítimas do jogo de empurra entre as instâncias.

Não só o IJF, mas todas as unidades de saúde, inclusive as estaduais (HGF, por exemplo), deveriam ser orientadas para o imperativo de identificar emergências impreteríveis. Contudo, não é isso o que acontece: prevalece uma sistemática burocrática que encara os seres humanos como objetos, sem alma e sem sentimentos.