Blog do Eliomar

O que ficou de objetivo da campanha?

Da coluna Menu Político, no O POVO deste domingo (7), pelo jornalista Luiz Henrique Campos:

O eleitor de Fortaleza vai hoje às urnas após intensa movimentação política desde a discussão sobre a indicação de candidatos, quebra de alianças políticas, campanhas e o tenso sobe e desce das pesquisas. Depois disso tudo, é o caso de se perguntar: o que de fato restou de importante de todo esse processo para o cidadão que é obrigado a digitar o seu voto nos candidatos a prefeito e vereador? Não que o voto como instrumento da democracia seja desnecessário, mas o que podemos tirar de lição de uma campanha que até tinha candidatos à prefeitura com bom potencial de propor alternativas interessantes ao eleitor e que chega, ao final do primeiro turno, sem que se possa vislumbrar grandes transformações com vistas a oferecer à cidade alternativas viáveis aos problemas que se avolumam.

Infelizmente, não saímos da mesmice de campanhas anteriores, nas quais as promessas ilusórias se sobrepõem a uma discussão profunda sobre o que queremos para Fortaleza nos próximos anos. É claro que muito disso se deve ao próprio eleitor, acostumado a se contentar com o oferecimento de migalhas eventuais para garantir o voto. E aí, pode-se incluir nessa categoria desde a promessa de emprego, ao posto de saúde 24 horas, como também o reforço da segurança por meio do aumento de efetivos da Guarda Municipal. Pouco, para uma metrópole que ao invés de procurar se inserir na era a ser marcada pelo conhecimento, não consegue ir além da solução simplória de problemas de bairro ou de ponta de esquina.

A partir disso, caro eleitor, deixo aqui uma reflexão. De tudo o que foi apresentado pelos candidatos, o que de concreto pode-se tirar em relação ao futuro de Fortaleza? Posso até estar enganado, mas não consigo vislumbrar, para além do que vi e ouvi dos candidatos, nada além da disputa menor, voltada para a vitória meramente eleitoral. Não à toa, a campanha tenha transcorrido de forma tão morna, mobilizando apenas os mais entusiastas de candidaturas. Os mesmos que, a cada eleição, defendem apenas seus próprios interesses. Uma pena que tenha sido assim. O mais grave é que não foi por falta de bons nomes na disputa. Tínhamos candidatos com certo perfis diferenciados, mas com experiência e estofo público para nos oferecer algo melhor do que foi posto. Perdemos este ano uma ótima oportunidade de discutir a cidade em profundidade. Fica a esperança de que o escolhido possa, pelo menos, ser uma grata surpresa.