Blog do Eliomar

Denúncia sobre grupo de extermínio na Polícia do Ceará exige apoio de instâncias federais

41 2

Com o título “As denúncias de grupo de extermínio na Polícia”, eis o Editorial do O POVO desta quinta-feira. Considera a fala do Capitão Wagner, vereador eleito pelo PR, muito grave e cobra investigação profunda e até com apoio de instâncias federais. Confira:

A denúncia feita pelo recém-eleito vereador Capitão Wagner sobre o envolvimento de membros da alta cúpula da Segurança Pública estadual em grupos de extermínio é demasiadamente grave para deixar de ser abordada neste espaço de reflexão. Apesar de o momento presente estar conturbado pela disputa política e ser facilmente vulnerável ao jogo das paixões, seria uma omissão imperdoável deixar de abordar a questão.

Evidentemente, as denúncias sobre grupos de extermínio no Ceará não são novas: têm sido recorrentes nas últimas décadas. O que muda é o fato de virem, agora, de um oficial de alta patente da Polícia Militar, cuja liderança transpôs as barreiras da corporação e foi agora legitimada por um número expressivo de eleitores. O fato de essa liderança ter sido construída de modo polêmico, e a acusação ocorre em um ambiente de tensa disputa política, não devem ser desconsideradas, previamente, embora requeiram as compreensíveis precauções exigidas pelo contexto.

Deve ser debitado em favor das autoridades da Segurança Pública o anúncio de que essa e outras acusações serão investigadas imediatamente. O que é muito louvável. Contudo, essa questão não deve ter um encaminhamento apenas corporativo, é preciso que o Ministério Público Federal entre em ação e ouça o que o oficial e representante do povo tem a dizer. Talvez, seja este o momento de ouro há muito aguardado para se chegar as raízes do que tem ficado encoberto até o momento. As dificuldades para o avanço das investigações nesse tipo de crime são conhecidas – e isso não é uma característica do Ceará. No caso cearense, o próprio denunciante explica o porquê: “têm pessoas importantes tanto na área da segurança, quanto no Judiciário” e que, por isso, os implicados “sempre conseguem se safar”.

Ora, se essas palavras do denunciante corresponderem à realidade, o nível de investigação exigirá recursos mais poderosos, requerendo a entrada em cena de instâncias federais. Tudo com o devido cuidado para evitar manipulações políticas, mas de forma enfática e decisiva para superar obstáculos injustificáveis. Presumivelmente, as próprias autoridades estaduais estarão interessadas em pôr isso a limpo, de uma vez por todas.