Blog do Eliomar

Quantos casos do tipo “Trairi” existem no Ceará?

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Com o titulo “O modelo Trairi”, eis artigo do jornalista Plínio Bortolotti. Ele aborda prisão de políticos, até de prefeita eleita desse município, e chama a atenção para o fato de que casos do gênero não seriam algo exclusivo desse município do Litoral Oeste do Ceará, se se passasse um bom pente fino em muitas administração do Interior. Confira:

A democracia é uma senhora que não consegue chegar a todos os lugares ao mesmo tempo e igualmente. Desde que os militares voltaram para os quartéis (1985), de onde nunca deveriam ter saído, os direitos democráticos dos cidadãos brasileiros vêm se ampliando, mas isso não corre igualmente, em todas as regiões.

Nos grandes centros, com a sociedade civil mais bem organizada, a margem de manobra dos políticos diminuí: eles têm de prestar contas do que fazem, a imprensa é vigilante e os órgãos de controle são mais presentes. Dessa forma, o decoro tende a ser maior.

Nos interiores os controles são mais frouxos, a população é menos organizada – quando não dependente do poder público, grande empregador e prestador de “favores”: arranjam ambulâncias, fecham os olhos para as infrações de trânsito, não cobram impostos e evitam fazer qualquer coisa “antipática”, mesmo quando necessária. Os prefeitos, muitos deles, nem moram na cidade que “administram”, deixando os munícipes por conta de algum capataz.

Se não for isso, como explicar a situação de Trairi, município no qual a situação e a oposição foram parar atrás das grades acusadas de delitos que vão da compra de votos, passando por desvio de dinheiro público, até formação de quadrilha?

O caso é que o negócio não se restringe somente a Trairi. Levantamento do O POVO mostra que pelo menos 16 prefeitos do Ceará foram afastados do cargo, desde o ano passado. E, podem ter certeza, se se passasse um pente fino nas administrações o número de delinquentes travestidos de administradores se apresentaria bem maior.

Um dos problemas é que, no Brasil, um país continental e diverso, a mesma estrutura política-administrativa de uma cidade como São Paulo – com seus 11 milhões de habitantes – se reproduz em municípios minúsculos, incluindo Câmaras de Vereadores, cujo principal trabalho dos integrantes é verificar se o pagamento foi depositado no banco ao final de cada mês.

* Plinio Bortolotti

plinio@opovo.com.br

Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO.