Blog do Eliomar

Trapalhada – Prefeitura não pagou obra e desiste de ação judicial

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“Foi a falta de pagamento da Prefeitura de Fortaleza que gerou o desmonte de parte das obras do calçadão do complexo esportivo do Conjunto Sítio São João, no Grande Jangurussu. A empresa Energética Locações, Projetos e Construções LTDA alega que, por conta da gestão municipal, deixou de repassar verba à parceira Maranatha Construções e Empreendimentos Imobiliários LTDA para a quitação de débito com a Valka Pré-moldados de Concreto. O dinheiro seria destinado à aquisição de 3 mil metros quadrados de pedras. O equipamento foi desfeito no último sábado, 1º, por funcionários da Valka. Após O POVO denunciar o desmonte ontem, o calçadão começou a ser reconstruído de imediato.

A princípio, a Secretaria Executiva Regional (SER) VI assegurou que o pagamento fora feito de forma integral e “a empresa (Energética, vencedora da licitação) contratou outra empresa e não pagou pelo serviço”. Recuou 24 horas depois. “Ainda não houve nenhuma medição (do andamento da obra). Portanto, não houve nenhum desembolso”, posicionou-se, em nota, citando o calçadão orçado em R$ 115.046,84.

Conforme o diretor da Valka, Igor Bonfim, a empresa devia ter recebido R$ 15 mil da Maranatha pela entrega de 712m² de pedras em agosto, quando da firmação de um contrato. O não pagamento quatro meses depois gerou desconfiança. “Visitamos o endereço do cadastro da Câmara de Dirigentes Lojistas e no contrato (av. Washington Soares, 6.410). Mas a empresa não fica lá. Ligamos e não atendiam. Tentamos pegar o registro da obra no local da obra e no Portal da Transparência. Não achamos. A gente deduziu que era uma empresa fantasma. E, também por dedução, o material era nosso ainda (já que a Maranatha não havia pago)”, cita Bonfim.

Ontem, o proprietário da Energética, Jorge Praciano, reuniu-se com o titular da SER VI, Gil Pinheiro. “Ele me pediu para concluir a obra. Posso concluir o mais rápido possível, mas pedi uma garantia (de pagamento). O secretário me deu a palavra de que vai resolver o problema e vou receber ainda esse ano. Então, não vejo motivo para não concluir. Entrego, no mais tardar, dia 20”, previu Praciano, negando ter terceirizado a execução do serviço para a Maranatha. “Ela só só comprou o pré-moldado”.

A proprietária da Maranatha, Neide Vieira, procurou O POVO e disse desconhecer qualquer ordem de retirada das pedras. E criticou a Valka. “Se tem nota fiscal, deviam ter feito uma cobrança judicial. Mas eu não recebi cobrança nenhuma”.

Após a polêmica, Energética e Valka devem firmar parceria sem intermediários. Duas reuniões já ocorreram. As pedras serão fornecidas novamente para a reconstrução do calçadão. Segundo a SER VI, o valor da obra não será onerado em decorrência disto. “O material foi tirado. Mas está sendo reposto sem ônus”, garantiu Praciano.

Como houve acordo entre Regional e Energética, a Prefeitura anunciou desistência de levar o caso à justiça. O Boletim de Ocorrência que seria registrado pelo desmonte do equipamento também foi abortado. A não medição (e o não pagamento pelos trabalhos da Energética), a SER VI atribuiu ao “lento andamento das obras”. A Regional fala em 30% do calçadão executado. A empresa garante 50% já pronto.”

(O POVO)