Blog do Eliomar

Fazer e fazer bem feito

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Da coluna Política, no O POVO deste sábado (23), pelo jornalista Érico Firmo:

Parte da vidraça do recém-reformado Castelão desabou e a desculpa oficial foi a de que “alguém provavelmente esbarrou”. À parte a especulação vaga, espera-se que estrutura colocada em local de fluxo de pessoas seja a prova de empurrões. Todavia, seria apenas um detalhe a não merecer maior reflexão, não fossem as recentes polêmicas envolvendo obras do Estado que mal haviam sido concluídas.

No mês passado, incomodado com o desabamento da marquise do Hospital Regional Norte, em Sobral, o governador Cid Gomes (PSB) afirmou que ficava praticamente triste porque, segundo ele, “vai parecer que as coisas que eu faço são mal feitas, e não são. São muito bem feitas”.

O governador costuma repetir que gosta de realizar obras de qualidade. Por isso, muitas vezes prefere pagar mais caro, para ter o retorno no resultado final. O raciocínio é absolutamente legítimo. Nem o caso do hospital nem o do Castelão é suficiente para dizer que tais obras são duas porcarias, o que seria uma mentira.

Nos empreendimentos de tal magnitude é até natural que haja problemas pontuais, desde que não comprometam o todo. No entanto, já houve episódios bem mais relevantes, capazes de por em xeque, sim, a qualidade do trabalho realizado pelo Estado. E com prejuízos para o contribuinte, inclusive.

Na época em que Cid se insurgiu – com toda razão do mundo, a propósito – contra o Ministério dos Transportes, pela situação calamitosa das rodovias federais, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT) mostrou que a CE-168, entre Itapipoca e Itapajé estava em condições também imprestáveis. Fazia apenas dois meses que o governador participara da entrega da rodovia recuperada, cujos custos passaram de R$ 20 milhões. A empreiteira responsável apontou que houve erro no projeto, formulado por outra empresa. Teria sido desconsiderado o “detalhe” de se tratar de obra em serra.

No começo de 2012, o Estado autorizou a reforma da Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) de Itaitinga, para reforçar a segurança, depois de três grandes fugas no intervalo de sete meses. Detalhe: o local havia sido inaugurado menos de três anos antes.

Em março do mesmo ano, veio abaixo a primeira etapa da reforma do canal do rio Granjeiro, no Crato. Os trabalhos para recuperar os estragos decorrentes da chuva do ano anterior haviam custado R$ 2,5 milhões. Cada caso tem sua explicação, mais ou menos convincente. Em conjunto, expõem que a qualidade do que é entregue talvez não esteja compatível com o que os subordinados do governador levam aos seus ouvidos.