Blog do Eliomar

Faltou maior mobilização para salvar o bangalô azul

A pesar dos esforços em contrário, foi demolido na sexta-feira passada, dia 5, o casarão azul na esquina das ruas Padre Valdevino com João Cordeiro. Conforme a matéria “Descaso: Justiça concede liminar que permitiu destruição de bangalô”, da repórter Angélica Feitosa (Editoria Cotidiano, página 2, na edição deste sábado, 6, do O POVO), uma liminar suspendeu o tombamento provisório da mansão. Um edifício será erguido no endereço.

Para que sejam evitados problemas como esse no futuro, empresários da construção civil bem que poderiam negociar projetos que compatibilizem o patrimônio cultural com outras prioridades. É o que aconteceu em vários endereços na avenida Santos Dumont. Mansões, ainda que nem todas, estilo Casa Branca, como a sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), foram conservadas, sendo a corte judiciária ampliada no local com edifício anexo.

A Santos Dumont passou por maior trauma patrimonial em 1974, na demolição do castelo ou palácio do Plácido. A meta era substituí-lo por hipermercado, que acabou embargado. A opção foi a instalação da Central de Artesanato do Ceará (CeArt). Na própria Santos Dumont, de outras casas históricas, nem os alicerces restaram. Na praça José de Alencar, na mesma década de 1970, sacrificou-se a velha sede da Fênix Caixeiral, para no endereço se abrir um armazém de tecidos. Também nunca erguido.

Uma das faltas de solução é determinadas edificações em Fortaleza só serem alvo de atenções quando trabalhadores começam o destelhamento. Ou as picaretas causam os primeiros danos nas paredes. Talvez ocorra mais pelo fato de órgãos do patrimônio histórico, embora com pessoas bem-intencionadas nos quadros, funcionarem semiparalisados pela burocracia. Falta também à sociedade civil, aparentemente, maior militância pela causa. É o contrário da comunidade ambientalista, envolvendo instituições públicas ou entidades privadas, somando-se a políticos identificados com a ecologia. Sem isso, nunca existiriam os parques do Cocó.

(O POVO / Editorial)