Blog do Eliomar

O futebol como reflexo de uma sociedade

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Em artigo no O POVO deste sábado (4), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, afirma que a violência das torcidas é o retrato de uma sociedade sem educação e respeito ao próximo. Confira:

O esporte como meio de interação é uma forma das mais transparentes de se entender o perfil de um indivíduo, de uma sociedade ou de uma nação. O futebol, como a modalidade desportiva mais popular do planeta, serve muitas vezes para parametrizar essas reações e medir o grau de complexidade que envolve seus participantes, sejam os praticantes, sejam os assistentes.

Assim, não é difícil entender o porquê de, no Brasil, termos torcidas tão violentas. Ora, vivemos em uma sociedade violenta. Os números estão aí para provar. Então, não poderia ser diferente a reação dos que vão aos estádios para presenciar a disputa de uma partida do esporte que mais identifica um povo. Faço essas reflexões depois de acompanhar pela TV os jogos recentes da semifinal da Copa dos Campões da Europa.

O que vimos nas quatro partidas entre os dois times alemães e os espanhóis foi simplesmente o retrato de uma sociedade que, em termos de educação e respeito ao próximo, está bem acima do que vivenciamos ainda no Brasil, e na América do Sul de um modo geral. Primeiro, em nível de organização de um espetáculo com a pretensão de atrair a atenção do mundo todo. Impecável nesse sentido.

O mais importante, todavia, refere-se à simbologia de um jogo no qual a disputa deve se dar no limite determinado para tal, que é o campo de jogo. Fora dele, tive o cuidado de ler sobre possíveis incidentes, nenhum registro desabonador, mesmo diante da tensão que as partidas encerravam. Nas quatro linhas, para usar um jargão mais ao gosto dos apreciadores do futebol por aqui, um exemplo de como deve ser o palco de uma arena esportiva.

Por tudo isso, fico a pensar sobre as velhas discussões que sempre vêm à tona quando se pensa em punir torcedores ou oferecer garantias a quem aprecia uma partida de futebol, mas que hoje pensa duas vezes em ir a esses locais. Onde será mesmo que se está falhando? Será apenas na questão da falta de punição aos infratores fora de campo, ou os que estão lá dentro, sejam atletas, sejam dirigentes, também não têm a sua parcela de culpa?

E nós, jornalistas, estamos, de todo, isentos dessas responsabilidades? Sinceramente, são perguntas que até poderia respondê-las, mas deixo a cargo do leitor para que reflita sobre isso.