Blog do Eliomar

O que é isso Capítão?!

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Com o título “Capitão vereador”, eis artigo da professora e jornalista Adísia Sá. Ela questiona, num artigo publicado no O POVO desta terça-feira, o porquê da patente sempre destacada e pedido de diálogo em tom de advertência que o vereador andou fazendo ao governador Cid Gomes (PSB) no quesito reivindicações da tropa. Confira:

Nada contra, pelo contrário, que o vereador Wagner enfatize sua condição de capitão – estando no exercício do mandato na Câmara Municipal. Os demais colegas não alegam títulos profissionais: “médico”, “engenheiro”, “advogado”… A despeito disso, fico pensando: ser vereador não é suficiente para quem está no exercício legislativo, sendo preciso frisar sua patente militar?

Mas o que me chamou a atenção foi um release do dia 2, chegado, via email, ao meu computador. Vejamos: “No primeiro pronunciamento desta manhã, 02, o vereador capitão Wagner aconselhou o governador Cid Gomes a procurar conversar com os policiais, porque, senão, a Polícia vai parar, lembrando que teremos Copa das Confederações”.

Isto é advertência, ameaça, sugestão, conselho? O governador não tem liberdade de “conversar” com os policiais e, sim, obrigação imperativa de…? Francamente, o governador tem obrigação de conversar com os policiais, senão… A colocação me parece “ameaça” e isso não é cabível, partindo de quem quer que seja, notadamente de quem partiu.

A “advertência” vinda via email prossegue: “De janeiro a maio, 602 morreram de forma violenta apenas em Fortaleza. Capitão Wagner destacou que as únicas ações feitas pelo governo estadual, em vez de mudar, acabaram prejudicando o sistema de segurança. Foram transferidos 100 policiais para o interior, quando uma turma de 920 novos soldados também “era” (do texto) efetivadas no interior, o que não se justifica até hoje a ação.”

O release traz mais: “Capitão Wagner reforçou o conselho do Comandante, lembrando que foi prometido à tropa militar que até o final de 2012 não haveria mais militares com carga horária maior do que 42 horas semanais. No entanto, continua uma escala de escravidão no interior, que chega até 96 horas seguidas.”

O texto informa: “no próximo dia 11, quando ocorrerá a primeira reunião paritária com o governo estadual…” Nada chegou às minhas mãos sobre essa reunião – se houve…

O material recebido encerra com algo que me deixou em dúvida – informação, advertência, ameaça? Vejamos: “na tribuna, o parlamentar comparou a época em que foi deputado estadual (de setembro de 2011 a janeiro de 2012), em que solicitava diálogo com o governador sobre demandas dos militares cearenses. O não atendimento resultou na paralisação.” O tempo responderá…

* Adísia Sá

adisiasa@gmail.com
Jornalista.