Blog do Eliomar

Segurança e Democracia

Da coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (26):

Uma das grandes dificuldades de se abordar a questão da Segurança Pública no Ceará, neste momento de tensão, é a possibilidade de qualquer abordagem ser lida como tendenciosa, por um lado ou por outro (governo e movimento reivindicativo da PM). Mas esses são os ossos do ofício. Mais grave, porém, seria se as diversas representações da sociedade civil se omitissem – sobretudo, as instâncias acadêmicas (especialistas da área) e as lideranças políticas e comunitárias, para não serem mal interpretadas. Há, porém, uma premissa que, desde logo, deve ser colocada nesse debate: ninguém é favorável a uma ação inconstitucional (como seria um movimento paredista na PM), nem toleraria uma situação tumultuosa como a que espocou no início de 2012, em Fortaleza. Mas, há o outro lado.

A consciência democrática também não concordaria que houvesse injustiças em nome da disciplina. O fato de a sociedade civil ter interferido, no auge da crise do ano passado, para encontrar uma solução política não significou que apoiasse a forma de luta (paralisação) da Polícia em defesa de seus direitos, embora entendesse a justeza das reivindicações. Os representantes da sociedade buscaram a saída possível e menos traumática para todos, alertando que a truculência não é a resposta mais adequada à democracia. E não há provas de que tenham errado nisso, nem nas recomendações que fizeram para que desdobramentos equivocados da questão não alimentassem um potencial fogo de monturo.