Blog do Eliomar

Os protestos e a popularidade de Dilma

Em artigo no O POVO deste sábado (3), o editor-adjunto do Núcleo de Conjuntura do O POVO, Luiz Henrique Campos, avalia a popularidade da presidente Dilma nas eleições do próximo ano. Confira:

Tenho ouvido várias pessoas se dizendo surpresas com a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff após as recentes manifestações de rua que tomaram conta do País. Para além da sensação de surpresa, mostram-se temerosas com a possibilidade de o País vir a ser governado por alguém que não seja ligado à cartilha do ex-presidente Lula, ou com perfil de partido de esquerda, por acharem que o País está no caminho certo.

É interessante observar que muitas dessas pessoas que agora se revelam receosas do futuro apoiaram os protestos e até participaram diretamente deles, achando que não fosse atingir diretamente o governo Dilma e as lideranças que representam o atual projeto de poder em vigor.

Entendiam essas pessoas que os protestos teriam sido direcionados aos gestores públicos de maneira geral, e que foram até mais contundentes em relação ao parlamento, do que mesmo ao executivo. Esquecem, todavia, que no parlamento o sentido de preservação pesa bem mais do que as convicções individuais. Tanto isso é verdade que as principais lideranças do Congresso não perderam tempo criando rapidamente pacotes de bondade, ao primeiro sinal de que o barco poderia afundar. Nem poderia ser diferente. Matreiros na arte da política sabem que ninguém se reelege indo contra a maré.

No caso do executivo, ao contrário, não se pode pensar somente na agenda positiva. Tem-se que lidar com a velha máxima de que gerir a coisa pública é administrar recursos limitados para atender demandas ilimitadas. Dessa forma, se no parlamento tudo é possível, no executivo o que vale é a responsabilidade, caso o gestor não queira terminar em maus lençóis.

É nesse sentido que não deveria ser motivo de surpresa a brusca queda de popularidade da presidente Dilma. Basta ver o teor das reivindicações e sentir a quem atinge. Não à toa, se todas as principais instituições perderam boa parte da confiança dos brasileiros, nenhuma perdeu mais do que a presidente da República, três vezes mais do que o resto, segundo revelou a pesquisa nacional do Ibope, chamada Índice de Confiança Social, divulgada quinta-feira. Na política, é bom lembrar, o mais ingênuo dá nó em pingo de água.