Blog do Eliomar

Por que manifestação com depredação do patrimônio público?

Com o título “Manifestação X Provocação”, eis artigo que o advogado Irapuan Diniz Aguiar manda para o Blog. Ele aborda a onda de manifestações pelo País e os excessos de uma prática que não é democrática e merece repúdio: a depredação. Confira:

Na atual crise de confiança, de respeito e de autoridade que há motivado seguidas manifestações da população nas ruas dos grandes centros urbanos do país, alguns aspectos precisam ser melhor refletidos pelos diferentes segmentos sociais, a partir da perda de essência das principais bandeiras desfraldadas, em razão do desvio de seu foco, obscurecidas pela violência desmedida de grupos infiltrados nesses movimentos, numa grave ofensa a democracia. A escritora Lya Luft, em recente artigo publicado na revista Veja bem definiu este sentimento ao proclamar: “Não vejo nada mais truculento do que quebrar a propriedade alheia, ou invadir e ocupá-la, insultar, cuspir, barrar. Sou a favor de manifestações e contra a resignação omissa”. Comungo do mesmo pensamento.

É legítimo, democrático e até recomendável reclamar, não aceitar as práticas políticas vigentes, exigir direitos, manifestar-se, enfim. O que não é democrático é ser violento. Quebrar vidraças de lojas e bancos, invadir e ocupar prédios públicos, infernizar a vida das pessoas, muitas das quais impossibilitadas de sair de casa, até para ir trabalhar, se constitui num um atentado a liberdade de ir e vir e numa afronta a Lei Maior. É, pois, uma forma de ditadura com efeito contrário aos justos protestos do povo.

Cada um de nós precisa encontrar sua autoridade interna, seus limites no atual contexto da falta de autoridade pública, pois quando inexistem líderes confiáveis, quando políticos se calam ou se mostram atarantados, governantes não sabem o que fazer para manter ou estender seu poder, instituições se revelam desacreditadas porque não funcionam e leis são descumpridas, a perplexidade domina a todos, sejam governantes ou governados.

Quando, em defesa da sociedade, se busca coibir os atos de vandalismos, sempre presentes nessas manifestações, parte da imprensa denuncia que os policiais foram truculentos, usaram gás, pimenta, etc. Ora, não se combate a truculência, indivíduos mascarados muito deles portando bombas caseiras e outros artefatos, com flores e com um diálogo civilizado. O interesse social, nessas ocasiões, se sobrepõe a direitos individuais ou grupais. O exemplo da ocupação do “Parque do Cocó” em nossa cidade bem evidencia esta assertiva.

A violência de trogloditas afasta das manifestações muita gente bem-intencionada que também quer protestar, e saber contra o que se protesta. Vivemos, infelizmente, dramaticamente, momentos extremamente confusos, perigosos, de vulnerabilidade e indecisão. A retomada para a superação destas dificuldades começa na família, onde o caos nasceu, porquanto não mais se sabe o que fazer com os filhos, o que tem resultado desvios comportamentais que vão do o uso do “crack” até a agressão a professores.

* Irapuan Aguiar,

Advogado.