Blog do Eliomar

O educador e a saudade de Dona Lúcia

Com o título “Dona Lúcia Dummar, minha amiga desde 1958”, eis artigo do educador Oto de Sá Cavalcante, que pode ser lido no O POVO desta terça-feira. Confira:

Em 1958, meus pais, Hildete e Ari, concluíram uma pequena casa com apenas três quartos e um banheiro, que seria o sítio da família, situado à margem da lagoa de Messejana. A partir daí, passamos a ser vizinhos das famílias de dona Lúcia e do dr. Pompeu Gurgel. Convivíamos muito. Messejana era composta de alguns sítios e se assemelhava, em diversos aspectos, a uma pequena cidade do interior.

O sítio de dona Lúcia era, como ainda é, muito grande e totalmente à beira da lagoa. Nele havia campo de futebol, quadra de futebol de salão, basquete e vôlei. Praticávamos muitos esportes no sítio. Eram ofertadas camisas para os times formados. O Demócrito não jogava bem futebol, mas era excelente na sinuca.

Não posso esquecer uma festa de São João promovida no sítio, onde estavam presentes a elite social da época e agricultores modestos, que trabalhavam nos diversos sítios dos arredores, convivendo harmonicamente.

Assim como meus pais, dona Lúcia não tinha o hábito de frequentar clubes sociais ou mesmo as grandes festas da sociedade, mas era incomparável na sua capacidade de receber bem em sua casa. O sítio, além da casa principal, área de esportes e plantações diversas, era dotado de um grande salão de jogos, um denominado por ela, apartamento, para hospedar amigos, e uma sala de aula para os filhos dos trabalhadores.

Aos 17 anos, fui homenageado pela dona Lúcia com um jantar, no gramado, em frente à casa principal, na véspera do meu vestibular para Engenharia Civil na Universidade Federal do Ceará. Na ocasião, foram convidados alguns amigos vizinhos. O jantar teve resultado – fui aprovado.

O último almoço que tive na grande mesa do sítio, com minha mulher Guida, estiveram presentes, além da família Dummar, Lúcio Brasileiro e Marcus Lage. Na ocasião, a anfitriã, aos 96 anos, tomou uma taça de champagne para celebrar a amizade.

A última vez que falei com dona Lúcia foi no mês de maio último, quando ela fez a gentileza de telefonar para me parabenizar pelo meu aniversário.

Fiquei impressionadíssimo com a lucidez de sua conversa do alto dos seus 96 anos. Nesta conversa, ela perguntava a respeito de cada um dos meus cinco filhos e pedia que sugerisse uma data para um almoço com toda minha família. Assim como o almoço prometido à jornalista Jacqueline Costa, o nosso almoço também não acontecerá, mas não posso esquecer as gentilezas de sempre.

Dona Lúcia era culta, brilhante, bem-humorada e, como disse muito bem Gilmar de Carvalho, sabia ouvir e sabia dizer.

* Oto de Sá Cavalcante

Empresário.

 

* DETALHE – Às 19h30min desta terça-feira, na Catedral Metropolitana de Fortaleza, será celebrada a Missa da Ressurreição por Dona Lúcia Dummar.