Blog do Eliomar

O ser humano nasceu para ser livre

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Com o título “Tráfico humano – O vilipêndio da dignidade humana”, eis o editorial do O POVO desta quarta-feira. Em boa hora, pois o assunto é o tema da Campanha da Fraternidade 2014. Confira:

Hoje, Quarta Feira de Cinzas, inicia-se a Campanha da Fraternidade promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que este ano terá como tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e cujo lema será: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Depois de dias de entrega à fruição festiva, individual e coletiva, é bom voltar à rotina cotidiana embalados por uma motivação de tanto conteúdo humano e social.

A Campanha da Fraternidade é uma dessas iniciativas que levam as pessoas, em nosso País, a prestar a atenção em algum problema ou causa coletiva para a qual o concurso da solidariedade é de grande importância para sua solução. Neste ano, o foco está sendo colocado numa das chagas mais dramáticas da realidade contemporânea: o tráfico humano.

De que se trata, realmente? O Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, responsável pela Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças caracteriza o tráfico humano como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.

Ou seja, abarca muitos procedimentos que violam a dignidade das pessoas, comercializando-as, escravizando-as ou explorando-as de todas as maneiras. Assim, as vítimas são obrigadas a realizar trabalhos forçados sem qualquer tipo de remuneração (prostituição, serviços braçais, domésticos, em pequenas fábricas), ou, até, terem órgãos removidos e comercializados. E a escala de como isso se realiza é cada vez mais ampla e até global. No Brasil, faz cerca de 2,5 milhões de vítimas, de todas as idades e sexo.

Não dá para fechar os olhos diante de uma nódoa como essa. Por isso, deve ser louvada a iniciativa de despertar a sociedade brasileira para a questão, como o faz com muito empenho e pertinência a Campanha da Fraternidade de 2014.