Blog do Eliomar

Na lógica que vai não fica uma praça de pé!

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Em artigo enviado ao Blog, o professor Moacir Tavares comenta da intervenção urbana na Praça Portugal. Confira:

Caros leitores permitam-me dialogar com vocês por meio desta epístola. Desnudo-me de qualquer motivação ideológica menor e mantenho apenas, e tão somente, a opinião de cidadão.

Uma intervenção urbana deve buscar projetar os impactos futuros sem desprezar o momento. Será incrível se eu afirmar que a melhor solução para a praça Portugal é um túnel sob a praça? Por que em situação assemelhada, a rotatória do Castelão, foi cavado um túnel, na verdade “um mergulho” de uma das vias sob a outra ?

A não existência de encontros de veículos, ou seja, o não cruzamento, é que dará verdadeira fluidez ao trânsito.

Argumentam alguns que a praça é inacessível ás pessoas, oras, que façamos o acesso. Os pedestres podem acessar por cima, usando-se passarelas, ou por baixos com túneis. Inclusive no ineditismo de parcerias com entes privados integrando aos centros de compras (shoppings) existentes no lugar.

Há que se considerar que para além da ocupação de espaços públicos existem espaços para ser contemplados, a Praça Portugal é um desses espaços. Deve e merece ser contemplado.

Ao mirar a ágora vislumbro um passado que descortina o futuro ao ensinar como incrustar verde na selva de pedra e apontar que os pedestres são mais importantes que os carros. Os usos coletivos não são a simples soma de usos individuais.

Uns podem afirmar: vamos ganhar quatro praças ao invés de uma sem uso! Quem disse que para integrar os quatro cantos ao passeio devemos destruir o núcleo central? Por que a integração dos recantos não é realizada, a licitação de um mergulho iniciada e o compromisso com o futuro assinado. Ao contrário a pressa de resposta midiáticas espreme governos, especialmente junto aos tais formadores de opinião.

Eu não desejo a ninguém a pecha de entrar para história de nossa bela cidade como aquele ou aquela que destruiu a praça Portugal e fez um cruzamento que daqui a dois anos estará tão ou mais congestionado de carros. Memória viva, viva a praça Portugal

Com todo respeito ao pensamento diferente, pois o contraditório quando bem aceito é marca de civilidade.

Moacir Tavares, cirurgião-dentista, professor da UFC, doutor em saúde pública pela USP.