Blog do Eliomar

Há motivos para a paralisação?

Em artigo enviado ao Blog, o professor Francisco Djacyr comenta o movimento nacional por uma educação de qualidade. Confira:

Nos dias 17, 18 e 19 deste mês, professores de todo Brasil estarão em luta contra uma série de anomalias na Educação, em que a principal bandeira é a defesa do cumprimento da Lei do Piso, que infelizmente vem sendo desprezada pelos governantes. Esses, muitas vezes, fazem uma grande maquiagem e até recorrem à Justiça, efetivando o descumprimento da lei.

Dentro deste contexto de luta está a educação de qualidade que não pode ser feita sem a valorização do exercício do magistério e boas condições de trabalho. Na nossa cidade, há motivos para mobilização, pois a atual gestão tem provocado um grande atraso no modelo de educação, quando projetos eficazes, como Informática na Escola e Salas de Leituras, foram simplesmente deixados de lado e professores qualificados para esta ação foram retirados a ferro e fogo, deixando esses equipamentos à mercê da destruição pela falta de uso.

Outro processo que não deve ser esquecido é a aniquilação da democracia nas escolas, quando gestores e coordenadores não são escolhidos pela Comunidade Escolar e acabam tendo que fazer todos os propósitos dos comandantes da educação, sem levar em conta os anseios dos que fazem a escola.

Temos creches de tempo integral fechadas, temos desestímulo ao crescimento intelectual dos educadores sem permissão para cursos de Mestrado ou Doutorado, além de graves pendências e completo despropósito verificado nas épocas de lotação. No entanto, o sentido da paralisação não deve ser desprezados pelos gestores, pois o sucesso desta mobilização tem a ver com o cansaço de não haver de forma alguma valorização do professor como um todo.

A situação da educação pública na cidade de Fortaleza e em todo Estado não tem caracterização de uma boa qualidade, pois falta o investimento no ser que professa, não há dialogicidade no contexto da administração da educação nem confiança recíproca entre gestores e educadores, o que acaba provocando vários problemas que não serão resolvidos a contento, pois na realidade os gestores nos últimos anos têm preocupação meramente material e econômica, desprezando sempre o social.

Há motivos de sobra para dizer não a este modelo. O momento provocaria uma reflexão dos gestores sobre o que tem sido a educação em nosso país. No entanto, nos parece que muitos não estão muito preocupados com isso, pois a educação pública no Brasil é para pobres e como diz a canção: “pobres são como podres”.