Blog do Eliomar

Um giro de 360º. Ou quase isso

Da coluna Política, no O POVO deste sábado (5), pelo jornalista Érico Firmo:

Após duas turbulentas semanas na política cearense, recheadas de negociações, intrigas, pressões, especulações e boatos, as coisas voltam mais ou menos ao mesmo lugar. Formou-se uma baita confusão, bagunçou o coreto inteiro e, no fim das contas, volta-se ao lugar onde se estava há duas semanas. Cid Gomes (Pros) fica no governo, Ciro Gomes (Pros) não será candidato a nada, o PT caminha para indicar o candidato a senador, o Pros arrastará por mais alguns meses a indefinição sobre seus pré-candidatos. Mas nem tudo permanece tão igual assim.

O desenrolar do processo deixou estremecidas as relações entre o governador e seu vice, Domingos Filho, cujas perspectivas de vir a ser escolhido como candidato do Pros soam hoje bastante remotas. Em relação ao senador Eunício Oliveira (PMDB), Cid e ele chegam ao fim desse processo muito mais distantes do que entraram. As possibilidades de composição entre Pros, PMDB e PT são mais remotas. Enquanto isso, Izolda Cela (Pros), que chegou a ser dada como carta praticamente fora do baralho, parece ter se fortalecido como alternativa ao governo.

No fim das contas, ao levantar a hipótese e negociar o que não se concretizou, Cid não fez bem à sua base de sustentação política. Se no fim de governo o poder do chefe do Executivo começa a se esvaziar, ele antecipou essa possibilidade. Sai, ao menos temporariamente, com menos força do que entrou nesse processo. Daí ser natural que ganhe tempo antes de decidir seu candidato. Não apenas pelo próprio estilo, mas pela necessidade de deixar a poeira assentar, recompor as relações, apaziguar o processo, recuperar a própria saúde e não deixar mais dúvidas sobre sua autoridade de comandante das articulações – que se reduziria significativamente em caso de renúncia.