Blog do Eliomar

As peças do xadrez eleitoral do Pros e do PMDB

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Em artigo enviado ao Blog, o articulador político Jota Klaus avalia a força política do grupo de Cid Gomes e de Eunício Oliveira. Confira:

Passada a fase do poker eleitoral, com direito a altas apostas, blefes e tilts, o período no Ceará agora é do xadrez eleitoral. Os partidos nesta fase identificam mais claramente os aliados – ou deveriam já tê-los identificados – e começam a posicionar as peças no tenso tabuleiro de 64 casas. Cada casa ocupada nesses primeiros lances é fundamental para domínios posteriores, até não ser mais possível nenhuma ação do rei adversário. Não há mais espaço para blefes ou apostas, também não há mais como reverter erros, diante da ausência do fator “sorte”. Qualquer falha estratégica certamente resultará em perdas adiante.

E nesses primeiros movimentos é fácil perceber que um rei usa uma coroa alaranjada (PROS), enquanto a outra é de cor avermelhada (PMDB). As peças vermelhas (PT), tão atuantes em eleições recentes, algumas tenderão a perder cor, ao ponto de se alaranjarem, enquanto outras deverão ficar mais avermelhadas.

Também nesses primeiros lances, o trono laranja momentaneamente é ocupado pelo rei com tempo certo para deixar o poder, mas é possível identificar o cetro nas mãos do ex-ministro Leônidas Cristino. Após décadas em importantes cargos eletivos, a família Ferreira Gomes não se permitirá ser representada somente na Assembleia Legislativa, por meio da praticamente reeleição de Ivo Gomes. Então, o candidato apoiado pelo governador deverá ser alguém com cumplicidade quase familiar. Somente Leônidas, na visão dos Ferreira Gomes, seria capaz de negar o histórico de rompimentos – criador/criatura – que se instalou no Ceará há quase 30 anos.

Após o candidato do PROS ser “coroado”, Cid Gomes assumirá a função de “bispo”, uma peça capaz de ataques à distância, quando empregada com eficiência. O outro “bispo” do rei Leônidas seria o deputado José Guimarães, mas é provável que esse já tenha sido “capturado”. Assim como os bispos, os cavalos são peças com muita força de ataque. E o PROS conta com os invejáveis Ciro Gomes e Zezinho Albuquerque. Cabe ao rei adversário não permitir o domínio de oito casas que cada cavalo pode alcançar.

Os peões centrais do rei Leônidas também são capazes de inibir qualquer avanço das peças adversárias. O peão do rei é nada menos que Ivo Gomes, apoiado também pelos não menos fortes peões Ferruccio Feitosa (Copa do Mundo) e Salmito Filho, esse último responsável pela melhoria física de Fortaleza, cidade que deverá decidir a eleição ao Governo do Estado, diante de um equilíbrio de forças no Interior. Outro forte peão, mas não central, é Nélson Martins, que terá a função de impedir as fortes investidas do adversário no setor da agricultura.

O ponto fraco no jogo do PROS está em suas principais peças. A começar pelo próprio rei. A ironia é que se Leônidas não fosse o “rei” escolhido dos Ferreira Gomes, sequer teria a função de um peão nesse xadrez eleitoral. A rainha alaranjada – ou dama, como preferem os enxadristas – está posicionada mais como peça de defesa do que ataque. Com a Educação como terceira área pior avaliada na administração Cid Gomes, Izolda Cela não ousará a aventurar-se no ataque.

As duas torres, peças fundamentais a partir do meio-jogo, também deverão ser mal utilizadas. A primeira delas, Domingos Filho, foi “sacrificada”. A outra, Roberto Cláudio, deveria ser empregada como o maior cabo eleitoral da história de Fortaleza, o que certamente supriria a falta de eficiência da dama. Mas a estratégia do PROS mostra sinais de uma supervalorização de um dos bispos e dos cavalos, o que raramente resulta em xeque-mate.

Contrário ao rei Leônidas, o rei Eunício se mostra forte e se dispõe a ser peça de sustentação ao ataque. O mesmo não se pode dizer de suas torres, Lúcio Alcântara e Roberto Pessoa, que dificilmente mostrarão eficiência. Os cavalos do rei Eunício, Heitor Férrer e Inácio Arruda (sim, Inácio), possuem casas limitadas. Mesmo assim, ainda não se dispuseram aos primeiros movimentos. Os peões Capitão Wagner e Vitor Valim cumprirão suas funções sem surpresas.

O jogo forte do PMDB deverá ser direcionado ao “bispo” Lula e à “rainha” Luizianne Lins. Apesar de ousada e destemida, Luizianne Lins sabe que a rainha não pode atacar sem uma outra peça de sustentação. Nada melhor que um bispo para compor o implacável “estilingue”. Mas se engana quem pensa que essa função será de Lula. Posicionado no fianqueto próximo ao rei Eunício está o “bispo” Tasso Jereissati. Esse permanecerá em sua posição de fianqueto, por quase todo o jogo eleitoral, mas sempre apontado para o rei adversário.

Nesse início de jogo, não há dúvidas que as peças do PROS estão em vantagem, diante da fortaleza de suas peças medianas e formação de peões. Caberá ao PROS obter vantagem, até que as peças maiores (dama e torres) comecem a entrar no jogo. Mas, no fim, prevalecerá a melhor estratégia e combinação de ataque.

Assim como é o jogo de xadrez, é o jogo da política. Quanto maior é o nível do jogador, menor deverá ser o detalhe que o conduzirá à vitória.