Blog do Eliomar

Um mês de junho pavoroso

Da coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (11):

Uma pixotada da Prefeitura de Fortaleza antecipou em um mês o clima das manifestações que provavelmente só ocorreriam em junho. Milhares de estudantes ficaram com suas carteiras de estudantes inválidas. Foi como acender o estopim da bagunça. Um aquecimento para o jogo principal. Em breve, a turba vai adotar algum slogan anti-Copa do Mundo.

As manifestações já se espalham pelo Brasil. Na quinta-feira, o Rio de Janeiro teve um dia de cão. As grandes vítimas são os de sempre: os trabalhadores, o estado de direito e a economia. São eventos que antecipam em escala reduzida o que possivelmente está por vir.

No ano passado, assistimos a quebra-quebras. Ataques aos patrimônios públicos e privados. O que o País deveria ter feito? O que toda democracia que se preze faz. A saber: identificar os autores das arruaças e enquadra-los no rigor da lei. E o que o Brasil fez: tratou as arruaças como direito à manifestação e liberdade de expressão.

A tolerância com grupos Black Blocs e afins foi a injeção de ânimo para que aquele tipo de ação proliferasse desde então. Hoje, dificilmente há uma manifestação que não descambe para o confronto com as forças policiais. Estas, muitas vezes, colocam mais combustível na fogueira.

“Diante da possibilidade de causar algum transtorno, páginas dos grupos Black Bloc e Anonymous no Facebook estimulam todo e qualquer protesto. A adesão de manifestantes de plantão, mascarados e outros grupos radicais já tem um grito de guerra. O ‘não vai ter copa’ foi substituído, nas trocas de mensagens em redes sociais, pelo ‘não vai ter paz na Copa’”(Veja On Line).

Pois é. A visibilidade nacional e internacional da Copa, que é o evento de maior audiência no mundo, forma o caldo ideal para esses grupos. A ideia é estabelecer o confronto. E é muito fácil conseguir tal meta. Bastam umas pedras jogadas contra o pelotão de choque. Basta uma vitrine quebrada para fazer brandir os cassetetes.

O clima que se forma no Brasil é terrível. Mas, será que a multidão que em 2013 se dispôs a protestar vai novamente às ruas? Tomara que não. O tom radical de uma minoria afasta a maioria, que não tolera ver suas indignações manipuladas para favorecer quebra-quebras e confrontos violentos.