Blog do Eliomar

O rei está morto. Viva o Rei

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Em artigo no O POVO deste sábado (24), o médico, antropólogo e professor universitário Antônio Mourão Cavalcante compara a indicação de sucessor no sistema democrático, como o rei que passa o trono ao filho. Confira:

Luiz XIV, na França, foi nominado de Rei Sol. E sua famosa frase ecoa até hoje como símbolo do absolutismo: L´État c´est moi. (O Estado sou Eu!). Ninguém mandou mais que ele. Dizem os historiadores que com Luiz XIV a Europa passou a temer a França. Mesmo a poderosa Rússia dos tzares, respeitava e a cultuava.

Os reis tinham sangue azul. Ficavam no poder até que a morte os colhesse – por morte morrida ou provocada por guerras ou envenenamento… Mas, a ideia básica é que tudo emanava dessa pessoa iluminada, até mesmo, escolhida pelos deuses… O poder era direito dos herdeiros de sangue. O primogênito substituía o soberano morto…

Na época que morei na Bélgica, eu achava curioso aquele epíteto atribuído: Balduíno, o Rei dos belgas.

Estou pensando estas coisas, enquanto reflito sobre as discussões suscitadas acerca da sucessão estadual no Ceará. Isto é, apesar da realidade monárquica – rei é substituído por filho do rei – seja uma realidade afastada das leis nacionais, ainda agimos e pensamos como se tivéssemos uma dinastia a nos conduzir.

Um dos grandes saltos dado pela democracia foi a alternância de poder. É a possibilidade de qualquer cidadão vir a ser escolhido, pelos pares, como mandatário maior daquele povo.

Na realidade, criada pela democracia, esse mando tem tempo para terminar e, em seguida, o substituto será escolhido pela sociedade. Pra que essa preocupação do mandatário atual apontar ou escolher seu sucessor?

Tem cabimento?

Esse arejamento – pode ser outra pessoa! – é algo de fabuloso no regime democrático. Um sistema que não tem dono. Nem está atrelado a caprichos de terceiros…

Nessa perspectiva, entra a participação dos partidos políticos. Eles representam pensamentos convergentes e conflitantes da sociedade e, candidato será aquele que melhor representa o pensamento dos seus pares. Não é nome tirado do bolso do colete. (pois hoje em dia nem mais coleta nós usamos!).

Praticar política de patota familiar é retrocesso no tempo. É regredir num absolutismo monárquico de farsa e engodo. A pluralidade de candidatos que está surgindo no horizonte eleitoral nos alegra. Teremos disputa. Teremos segundo turno. Campanha. Luta eleitoral. Democracia.