Blog do Eliomar

Sinal fechado

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Em artigo no O POVO deste sábado (9), o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante faz uma crítica a candidatos que se mostram íntimos de eleitores em seus slogans. Confira:

O sinal demora muito a abrir. Temos que esperar, com boa vontade, que os carros possam fluir. O trânsito é lento. Quase parado. Era esse o resultado do que sonhávamos ser o progresso? Na minha frente, o vidro traseiro de um carrão 4 x4, branco, mostra um imenso adesivo. Um senhor bem vestido e penteado abre um largo sorriso: é candidato. Tem um número de quatro dígitos e, abaixo da foto, uma frase slogan: seu amigo de sempre.

Não sei de quem se trata. Nunca o vi mais gordo ou mais magro. Nem mais calvo ou cabeludo. Mas, o homem diz que é teu amigo de sempre, cara? Será que fomos colegas de colégio? Será que ele é registrado na OAB ou Conselho Regional de Medicina? Não sei. Apenas que é simpático e tem um largo sorriso. Photoshop opera milagres. Mas, como o trânsito não anda, começo a me aborrecer com esse ente sorridente. Deveria era fazer propaganda de pasta dental. Dentadura perfeita ou é uma prótese? Rico faz implante…

Soube depois que quatro dígitos é número para deputado federal. Então, o “amigo” quer ser deputado federal. De novo ou novo no lance? Duvido que algum cearense saiba nominar, pelo menos, dez dos nossos deputados federais… Ou mesmo dizer, quantos são?

O candidato em causa, não deve ser do PT, senão o adesivo seria todo vermelho. Teria vermelho. Você não sabe, cara, o PT no Ceará resolveu encarar outras cores. É laranja. É róseo. Branco. Combina com qualquer cor. O verde era do PV, agora apropriado pelo PMDB… No caso aqui, do “amigo”, existem faixas de cores diferentes. Parece camisa de seleção de país africano. Multicolorida. Igualmente, ele não declara com qual grupo político está identificado. Nem é da situação. Nem é da oposição. Isso ele define depois de eleito. Mais prático.

Também não diz quem seria seu candidato ao Senado e – pasmem! – nem a Governador do Estado e presidente da República. O ser sorridente é um candidato livre. Multiuso. Pós-moderno. Para ele, partido político é coisa retrógrada, de capitalista reacionário ou revolucionário desnorteado. O mundo mudou. Agora nós somos clean. Buscando parcerias de resultados.

“Nem perca sua chance de ser feliz. Você pode morar perto da felicidade”…. Opa! Pensei que estava lendo outro cartaz político. Mas, desta feita a proposta é de uma imobiliária. De um mundo igualmente mágico e sedutor.

Finalmente, os carros põem-se em movimento. O “amigo de sempre” sai por aí, distribuindo um sorriso aberto pela cidade. E eu fico me perguntando: quem é mesmo o otário nessa história?