Blog do Eliomar

O jeito Camilo de governar

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Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (11):

Os primeiros dez dias de Camilo Santana (PT) à frente do Governo do Ceará já dizem muito da sua maneira de tocar a gestão, inclusive na parte política. Múltiplas conversas, sem arroubos, sem comportamentos impactantes, sem falas polêmicas. A crônica política costuma chamar os políticos e gestores que assim agem de “membros do clube dos sem lead”.

Na técnica da construção do texto jornalístico, o lead (“lide” na forma aportuguesada) é o primeiro parágrafo da notícia que fornece ao leitor a informação básica sobre o tema em questão. É a abertura montada com a intenção de prender o interesse do leitor. No inglês, significa “guia” ou “o que vem à frente”. Portanto, quanto mais impactante, mais interesse vai gerar.

Camilo vai dar trabalho aos jornalistas. Seu tom comedido é a marca pessoal que o petista imprimiu até mesmo na campanha eleitoral. Eunício Oliveira (PMDB), seu adversário direto, tentou várias vezes tirar-lhe o equilíbrio. Não conseguiu. Até nos debates, a ênfase dada à sua fala ao rebater polêmicas apresentadas pelo senador era claramente ensaiada. Sempre com um tom abaixo das expectativas.

Na montagem da equipe de Governo, no que se relaciona à cota pessoal de Camilo Santana, que uma reportagem nas páginas políticas do O POVO batizou de “núcleo duro”, nota-se o compromisso com a veia mais técnica e, como é peculiar a tal componente, mais discreta. É evidente e natural que a cota pessoal do governador na equipe espelhe a personalidade do gestor.

Para lembrar: “Segundo lideranças e aliados ouvidos pelo O POVO, integrarão a cúpula da nova gestão, sobretudo os secretários Alexandre Landim (Casa Civil), Hugo Figueiredo (Planejamento e Gestão), André Facó (Infraestrutura), Juvêncio Vasconcelos (Procuradoria Geral) e Élcio Batista (Chefe de Gabinete). Junto com os já conhecidos Mauro Filho (Fazenda) e a vice Izolda Cela, serão eles quem ‘darão as cartas’ da gestão”.

Mas, é preciso esperar outros desenhos cujos contornos ainda estão em construção. É o caso, por exemplo, da Secretaria de Desenvolvimento, cuja direção foi dada à ex-presidente do CIC, Nicole Barbosa. Nos últimos anos, as políticas de desenvolvimento do Ceará emanaram muito mais da cabeça do governador de plantão do que de uma pasta com planejada para esse fim. Tanto que nem sequer havia uma Secretaria com esse nome.

Na Segurança Pública, Camilo Santana pode fazer uma grande diferença. É o caso de se esperar, mas a condução até aqui pode ser considerada correta. A ponderação do governador tem sido uma aliada importante nesse sentido. A expectativa é que, para breve, seja apresentada uma política pública com começo, meio e fins muito bem definidos. E que, antes de tudo, seja restaurada a hierarquia plena no seio da Polícia Militar.

Do ponto de vista político, o tempo para o novo governador não lhe será muito generoso. O seu governo é de continuidade. Nesses casos, o capital político acumulado com a vitória eleitoral, que não foi retumbante, costuma ser parco. As cobranças mais duras virão mais cedo. É da natureza do jogo.