Blog do Eliomar

Sindiagua em campanha pelo uso racional da água no Ceará. O desperdício é de 37%

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Com o título ‘Água é cuidar da vida”, eis artigo do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Cagece (Sindiagua), Jadson Sarto. Ele aborda a trajetória da entidade e seus compromissos sociais como, por exemplo, lançar campanha pelo uso racional da água. Confira:

O Sindiagua tem uma rica trajetória de lutas. São mais de 30 anos defendendo não apenas os trabalhadores, mas também a justiça social, a universalização do saneamento, o meio ambiente e o nosso bem mais precioso: a água. Preocupado com a seca que assola nosso Estado há mais de três anos, o Sindiagua,desde o início de 2014, realiza uma campanha de uso consciente da água, por meio das redes sociais e de material gráfico educativo distribuído em escolas, terminais de ônibus, feiras livres e condomínios residenciais. A campanha – que foi divulgada em veículos de comunicação e audiências públicas na Câmara Municipal de Fortaleza e na Assembleia Legislativa do Ceará – tem contado com amplo apoio da categoria do saneamento em nosso Estado e, por isso, está tendo continuidade em 2015.

Infelizmente, essa iniciativa não partiu do poder público que somente no quarto ano de estiagem abriu os olhos e decidiu que vai promover sua campanha para economizar água, numa demonstração de que, infelizmente, não estamos apenas enfrentando uma das piores secas da nossa história. Enfrentamos também uma seca política, que impede que nosso Estado aprenda a conviver de forma minimamente harmônica com o fenômeno da estiagem – que não é novo para ninguém, apesar de os governos parecerem ser pegos de surpresa tamanha inoperância.

Realizar campanhas de uso consciente da água sempre foi uma reivindicação do Sindiagua junto aos nossos governantes (mesmo em anos de chuva). Saber preservar a água (e distribuí-la de forma equilibrada para todos) é o caminho necessário para uma convivência sustentável com a seca, especialmente em um Estado que tem seu território quase que totalmente inserido na região semiárida. O poder público tem a obrigação de assumir permanentemente seu papel educativo e ajudar a conscientizar a sociedade, além de agir para que empresas, indústrias e o setor do agronegócio economizem água, rompendo com a cultura do desperdício.

Saliente-se que vivemos em um País e em um Estado que desperdiça cerca 37% da sua água tratada, conforme dados do Ministério das Cidades (no Japão, o índice do desperdício é de apenas 3%). A grave estiagem que assola o Nordeste e a crise hídrica vivenciada em todo o País comprovam a necessidade urgente de mudar a forma como o homem trata a água. É preciso ainda afastar as ameaças de privatização que sempre foram (e continuam sendo) combatidas pelo Sindiagua, valorizar os trabalhadores, promover concursos públicos para as companhias de saneamento e é fundamental mudar a forma de consumo e distribuição. Somente assim a água será um bem de todos e não apenas de alguns.

* Jadson Sarto,

Presidente do Sindiagua.