Blog do Eliomar

O enfraquecimento dos protestos antigoverno e a mutilação do regime democrático

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Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (19):

O enfraquecimento dos protestos antigoverno produz um corre-corre para a reativação do golpe do impeachment contra Dilma Rousseff, já que não deu certo a sublevação das “massas”. Só que as fichas dos principais proponentes não os recomendariam. Não pretendem ficar nisso: querem também cancelar o registro do Partido dos Trabalhadores, a maior organização política de massas do Brasil (quer se goste dele, ou não) e extinguir o mandato dos seus representantes eleitos pelo povo. Se tal acontecesse, o regime democrático inaugurado pela Constituição de 1988 seria mutilado, e a democracia deixaria de ser plena. Voltaríamos a 1947.

Vale recordar: a democracia oriunda da Constituição de 1946 (pós-ditadura do Estado Novo) só foi plena durante um ano. Em 1947, uma das correntes principais do pensamento político existentes no seio da sociedade brasileira – a esquerda marxista reunida no Partido Comunista – foi criminalizada e excluída da vida política legal. Ela obtivera 10% do total dos votos para a Assembleia Nacional Constituinte de 1946, elegendo uma bancada de 14 deputados federais e um senador (Luiz Carlos Prestes). Sob um pretexto falacioso, o registro do partido foi cancelado, os mandatos dos seus integrantes extintos e todos atirados à clandestinidade. Não satisfeita, a direita infernizou o restante dos anos da democracia recém-conquistada, através de várias investidas golpistas (1954, 1955, 1956, 1961), até culminar no golpe militar de 1964. E na ditadura obscurantista que se seguiu.

Hoje se sabe que, se as reformas defendidas pelos comunistas, em 1947, tivessem sido aprovadas, provavelmente o campo brasileiro não teria sido despovoado tão atropeladamente, nem as cidades teriam “inchado” de maneira tão desordenada, gerando a violência urbana que hoje aflige a todos. Os atuais aprendizes de feiticeiro, que querem derrubar Dilma e ilegalizar o PT, provavelmente são alunos relapsos, que cabularam as aulas de História do Brasil: caso contrário, não estariam repetindo os mesmos erros, sem qualquer criatividade.