Blog do Eliomar

Entendendo nossa crise

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Em artigo no O POVO deste sábado (23), o professor da Uece, João Bosco Nogueira, sugere interesses externos contra a crise no país. Confira:

Não se pode entender o Brasil pelo que diz a grande imprensa, mormente a brasileira, porque ela sempre foi e é ligada aos dominadores, de qualquer matiz. No Brasil atual, duas coisas se veem ao mesmo tempo: os pecados dos petistas e a gula insaciável do neoliberalismo, que volta, e com toda a força.

Por trás de nossa crise, há uma briga de gigantes: de um lado, a aliança EUA/Europa (a União Europeia está enfraquecida, seriamente ameaçada com as crises e, por isso, curva-se aos EUA) e, do outro, o bloco dos Brics (a Rússia, em particular), como no affair Crimea e Ucrânia.

Nossa crise é mais de natureza externa, geopolítica, do que interna (corrupção/incompetência dos governos petistas), questão insignificante no bojo de tudo isso. (Não estamos subestimando a corrupção, que é grande, apenas a vemos como parte menor de nossos problemas). Estamos noutra guerra fria, e o grande pavor do bloco EUA/Europa é a possibilidade de deslocamento do centro de poder do Ocidente para a Ásia (Rússia, Índia e China), com a real chance de adesão a este bloco de toda a América Latina (Brasil à frente, já integrado aos Brics) e, depois, de toda a África (África do Sul à frente). Daí, a rejeição aos Brics e às suas iniciativas de independência.

É assim que se deve ler as sistemáticas e intermináveis denúncias de incompetência e corrupção do governo petista. O que interessa aos que dominam (os de fora e os de dentro do Brasil), não é combater a corrupção, que existe e é grande, mas destruir o governo petista e o próprio PT, que se opõem ao histórico alinhamento do Brasil aos EUA. É esse o núcleo da crise.

O resto é estratégia para enganar os incautos, para impedir que o Brasil seja uma outra China, ou para não deixar que os Brics formem um outro polo de poder, independente.