Blog do Eliomar

A velha mídia contra Lula e o PT?

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Com o título “A velha mídia, o barão de Umbuzeiro e a fábula do escorpião e do sapo”, eis artigo do jornalista, radialista e professor Francisco Bezerra. Ele fala de um grupo da mídia que boicota Lula e o PT. Confira: 

“Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.” Charles de Gaulle

Um dia, um escorpião olhou ao seu redor na montanha onde vivia e decidiu que queria uma mudança. Ele, então, partiu numa jornada através de florestas e colinas. Passou sobre pedras e sob vinhas e continuou em frente até alcançar um rio.

O rio era largo e rápido, e o escorpião parou para considerar a situação. Correu margem acima e abaixo sem divisar nenhuma condição de atravessar para o outro lado do rio. De repente, avistou um sapo sentado nos juncos na margem da correnteza do rio e perguntou se ele faria a gentileza de lhe dar uma carona nas costas até o outro lado da margem.

Desconfiado, o sapo indagou qual seria a garantia de que não seria morto. O escorpião redarguiu dizendo que se o fizesse estaria condenando a si a morte também. E a carona foi concedida. No meio da travessia, depois de atendidas às ponderações, o sapo foi tomado de surpresa ao sentir no dorso a ferroada do escorpião. Estupefato em vias de se afogar e levar consigo o caroneiro, o sapo exclamou: “Mas você garantiu que não me ferroaria.” Ao que o Escorpião retrucou: “É da minha natureza.” E morreram abraçados.

A fábula serve para explicar o caráter da velha mídia brasileira. Por mais que as novas tecnologias sofistiquem os veículos de comunicação, o modus operandi dela continua o mesmo. Desse os tempos em que o paraibano de Umbuzeiro Assis Chateuabriand resolveu deixar o sertão nordestino para se transformar em magnata das comunicações no Brasil, entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, a chantagem e o achaque são a base do sucesso nos negócios da comunicação.

Conta a lenda que  em 1917, já no Rio de Janeiro, Chateuabriand pediu o primeiro emprego como jornalista no Correio da Manhã. Ao ser indagado pelo chefe de redação se teria pendor para o jornalismo, respondeu que sim. Para testar a capacidade de Chateuabriand, o futuro chefe pediu que fizesse um texto sobre Jesus Cristo. O paraibano, incontinente, perguntou se era para falar de bem ou de mal. O emprego estava garantido.

Chateaubriand que foi chamado de Cidadão Kane brasileiro, construiu império midiático, dono que foi dos Diários Associados, o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica, usando como estratégia comercial a falta de ética e a chantagem como força de argumento contra empresas e governos que não anunciavam em seus veículos.

O inventor da televisão no Brasil, a Tupi foi inaugurada em 1950, morreu em 1968 com seu império em ruínas assistindo a Roberto Marinho sucedê-lo como barão maior da mídia nativa.

Marinho acumulou fortuna pessoal de US$ 1,5 bilhão. As empresas do império (cerca de 100) fatura, a cada ano, cerca de US$ 6 bilhões. Sendo à Rede Globo de Televisão — a quinta maior do mundo e a mais importante.  A base de tudo isso foi o jornal O Globo, fundado em 1925. De lá para cá, Marinho expandiu seus domínios com um invejável senso de oportunidade e uma série de falcatruas econômicas e políticas. Não foi por coincidência que a Globo nasceu um ano após do golpe militar. Como parte do financiamento norte-americano para o “combate ao comunismo, Marinho recebeu US$ 4 bilhões da revista Time-Life, além de todo apoio logístico para a implementação da emissora.

A transação foi totalmente ilegal, já que a Constituição vetava a participação acionária de estrangeiros em empresas de comunicação e o congresso chegou a abrir uma CPI. Contudo, a Comissão concluiu que, de fato, a lei havia sido desrespeitada, mas que a operação havia sido legal. Marinho, então, pagou a dívida com a revista e, na seqüência, recebeu outro empréstimo (de US$ 3,8 bilhões) do Citibank. A “tríplice-aliança” que envolveu Marinho, os ditadores e o imperialismo foi descarada. Para se ter uma ideia, a área técnica da emissora ficou nas mãos de um general e a administração financeira tinha à frente um executivo da Time-Life.

Bom, contamos, de forma rápida, a história dos dois maiores expoentes da imprensa autóctone nossa de cada dia à guisa de explicar a campanha que as organizações Globo, associada à Folha, Estadão e Abril, faz para destruir a imagem do ex-presidente Lula e a do PT. A ponta da lança são as revista Veja e a Época, que a cada final de semana vendem capas espetaculosas contra o petista e o petismo de conteúdo vazio.

Esta mesma mídia, a soldo de empresas transnacionais, intentou sabotar a criação da Petrobras, levou Getúlio ao cadafalso, Juscelino ao exílio, Jango à deposição e deu sustentação na mídia a uma ditadura de 21 anos. Sobre Juscelino, a imprensa bandida chegou a plantar em revista americana que o presidente Bossa Nova teria acumulado fortuna de 7 milhões de dólares nos cinco anos em que governou o Brasil. Juscelino morreu amargurado e humilhado e pelo que se sabe em situação financeira das mais modestas. Ainda há quem leve a sério as denúncias dessa gente. Não sabem que o denuncismo vazio, a chantagem e os métodos não ortodoxos são da sua natureza.

* Francisco Bezerra,

Jornalista radialista e professor.