Blog do Eliomar

No fim do túnel, a luz ou um acórdão

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (30):

Recessão, crise política e impopularidade da presidente nas alturas. A recessão está apenas em seu começo e deve perpassar o ano de 2016. A crise política é alimentada por variáveis que os atores políticos não dominam. No caso, a Lava Jato. A impopularidade de Dilma chega ao ápice com apenas oito meses de mandato. Faltam ainda três anos e quatro meses para o fim.

No meio desse quadro assombroso, lá se vem o Governo com mais propostas de tirar dinheiro dos cidadãos e empresas ao propor a volta da CPMF. Na política, Lula e o comando do PT, partido em plena ruína moral, começam a falar em candidatura presidencial do petista. Uma atitude cujo único efeito imediato é enfraquecer mais ainda a presidente Dilma. Se é que é possível.

Há dois movimentos a serem observados com a máxima atenção. Primeiro: será retomada pelo TSE uma das ações propostas pela oposição que pede a cassação dos mandatos da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer. Há um pedido de vista, mas a ação já tem a maioria dos sete votos da corte eleitoral.

Segundo movimento: com base em informações da Operação Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes (STF) pediu à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal a investigação de suposta prática de atos ilícitos na campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff em 2014.

Os dois movimentos vão na mesma linha. No fim das contas, é por aí que se concretizam as melhores chances de impeachment da presidente. Ou melhor, cassação. Afinal, há depoimentos de réus colaboradores da Lava Jato que indicaram o uso de dinheiro do propinoduto para a campanha de Dilma. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, já falou em R$ 7,5 milhões.

Aqui entre nós e a imensa torcida do Flamengo, alguém duvida que muito dinheiro do propinoduto tenha ido para a campanha da presidente em 2014? Ora, o financiamento de campanhas eleitorais foi um dos eixos do esquema montado na Petrobras e outras estatais.

Digamos que as contas da campanha da presidente sejam esmiuçadas com rigor. Quem conhece um pouco de política sabe que nenhuma campanha eleitoral de grande porte resiste a uma varredura. Digamos que os problemas sejam encontrados. O que vai acontecer?

A história do Brasil mostra que a nossa política é hábil em construir acordos e saídas que, muitas vezes, não são respeitáveis do ponto de vista jurídico, mas são eficientes no sentido de acochambrar os mais diversos interesses. Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos.