Blog do Eliomar

Um Ceará carente de lideranças

Com o título “Lideranças que fazem falta”, eis artigo do deputado federal Ariosto Holanda (PROS). Ele relata um certo vácuo de lideranças em vários segmentos da sociedade cearense. Entre as ausências, cita Demócrito Dummar, que presidiu O POVO.Confira:

Estamos vivendo uma crise institucional profunda acarretada pela perda dos valores éticos e morais e, sobretudo, pela ausência de líderes comprometidos com o nosso desenvolvimento econômico e social. A situação é tão grave que muitos chegam a afirmar que não vale a pena agir corretamente. Essa falta de lideranças é sentida em vários segmentos da sociedade: político, educacional, social, comunicação e outros.

No campo político, sinto falta de Virgílio Távora. O engenheiro Virgílio, como o chamava, tinha visão de futuro e desenvolvimento. Dele recebi apoio e incentivo para implantar e dirigir o Nutec. Isso se deu em 1979, quando o secretário de Indústria e Comércio e presidente da Fiec, dr. José Flavio Costa Lima, me indicou para essa tarefa.

Recebi de Virgílio a recomendação de celebrar convênio com a Universidade Federal do Ceará para prestar assistência tecnológica às empresas. Essa ação foi tão intensiva que,em 1980, foram feitos mais de 40.000 serviços de análises e certificados prestados pelos professores.

Mas, para o êxito desse programa, contamos de perto com o entusiasmo do que foi um dos maiores líderes da comunicação do Ceará: jornalista Demócrito Dummar. Ao colocar à nossa disposição a Fundação Demócrito Rocha para divulgar os trabalhos de extensão do Nutec, autorizou o encarte, nas edições do O POVO, de mais de 20 fascículos da série Como Fazer: doce, geleia, sabão, detergente e outros. Com a criação do Centec, publicou os Cadernos Tecnológicos que fizeram sucesso nacional.

Quando com ele viajei para conhecer os CVTs, Demócrito viu nessa estrutura o caminho para se fazer capacitação tecnológica da população e promover o ensino a distância. Infelizmente, os sucessivos governos nunca deram a devida importância aos trabalhos da extensão que assiste as pequenas empresas e capacita as pessoas para o mercado de trabalho.

Na área educacional, sinto falta do professor Antônio Martins Filho – o semeador de universidades. Não só estruturou universidades como apontou caminhos para integrá-las com os projetos de desenvolvimento regional. São exemplos o projeto Azimov no Cariri e convênios com a Sudene de Celso Furtado. Sinto falta de lideranças que nas suas áreas de atuação marcaram presença significativa. Como esquecer as lideranças que hoje fazem falta – Edson Queiroz, Edilmar Norões, Beni Veras, Nilson Holanda, Américo Barreira, Dorian Sampaio e outros?

* Ariosto Holanda

dep.ariostoholanda@camara.leg.br
Deputado federal pelo PROS.