Blog do Eliomar

Natal, a festa do aconchego e da comunhão

Com o título “Natal -p Evocações de uma noite mágica”, eis o Editorial do O POVO desta quinta-feira. Uma reflexão sobre data que precisa combinar com aconchego e comunhão. Confira:

Cores e luzes resplandecem, nesta noite, simbolizando aquela em que a estrela riscou o céu, provindo do Oriente, para sinalizar com seus raios o nicho de paz abrigado em um humilde presépio. Por um momento, deu-se uma trégua na turbulência dos desencontros humanos para que soasse o canto dos seres celestiais saudando a chegada do Príncipe da Paz. Nascia o rebento da união entre o Tempo e a Eternidade.

A evocação daquela noite mágica tem um simbolismo ainda marcante, mesmo para os que erguem uma muralha de indiferença em volta do próprio coração. Natal é lar, aconchego e comunhão. Por isso, a solidão, nesta noite, soa mais dolorida do que em qualquer outra. Daí, a razão de se instar aos que estão engolfados no amor e no afeto dos seus, a trazerem, sempre que possível, para seu círculo, aqueles que não desfrutam desse privilégio. Ou, ao menos, fazer chegar a eles a mensagem de algum tipo de compartilhamento humano.

As ausências são mais sentidas nesta noite: aquelas impositivas dos que partiram para sempre e cujo face a face não é mais possível, e as decorrentes de desencontros resultantes das imperfeições do existir. As primeiras podem ser atenuadas pelo reencontro interior, na própria fonte originária do ser. As segundas, a vida mesma pode tecer os fios de uma sempre possível recostura. Em ambas, o que não deve faltar é a esperança.

O mundo, por inteiro – e o Brasil, em particular -, deveria ter no simbolismo do Natal a referência para a mitigação dos desencontros que abriga em si. Acima dos interesses legítimos, ou reprováveis, os homens estão atados entre si pelos laços efêmeros da caminhada na História e pela implacabilidade de sua finitude. Desperdiçar períodos de tempo tão exíguos (como são os de uma vida) com a raiva, a vingança, a sede de poder e outros sentimentos negativos, ao invés de empregá-los no desfrute da paz, da conviviabilidade sadia e da alegria do viver, é uma opção burra.

A mensagem do Natal é, justamente, no sentido de fruir a vida no que ela tem de possibilidade imaginativa e criadora. Não criando uma falsa realidade de Polyana – pois, sem contradição, não há movimento -, mas vendo nas contradições emulações para o maior crescimento humano, que nunca é obtido à custa do desmerecimento do outro. 

Feliz Natal a todos.