Blog do Eliomar

Crise de quê?

Em artigo no O POVO deste sábado (16), o médico, antropólogo e professor universitário Antonio Mourão Cavalcante acredita que a crise no país não é a que se divulga todos os dias. Confira:

Está todo mundo dizendo que amanhã será um dia decisivo. Vamos saber se a Câmara Federal acolhe a acusação que foi feita à presidente da República, para que o processo do impeachment continue. Se sim, será imediatamente enviado ao Senado. Não vou abordar o tema – já extremamente discutido -, mas procuro entender aquilo que fica ao redor, compondo o cenário.

Nunca se falou tanto em crise como agora. Crise econômica, política, falta de emprego, inflação e, conforme queira, o leque pode ser bem ampliado.

Viajei de avião e os assentos estavam quase todos ocupados. Fui a diversos restaurantes e eles estavam repletos de pessoas falando alto e, em alguns, até batucando um samba antigo… Entrei em supermercado e as donas de casa compravam frutas e legumes. Os carrinhos pareciam bem abastecidos. Os ônibus repletos, os táxis sendo disputados. Até os teatros e casas de shows com gente muita e nem sabendo que estamos em crise. Mas qual é a crise? Como é essa crise?

As manifestações de rua – e foram milhares por esse Brasil afora! – não houve um tiro, uma peitada ou um cadáver para virar herói! Graças a Deus! Mas que conflito é esse?

Entretanto, as manchetes dos jornais continuam a nos assustar. Cada uma, cada dia parecem mais desesperadoras. Os analistas – sobretudo, os da área econômica – nos deixam aterrorizados. Dólar disparou. Desemprego acentuou. Bolsas despencaram. Entretanto, os ônibus continuam circulando, as pessoas mostram-se tranquilas e crendo no amanhã.

Esqueci de dizer: as praias continuam lindas e as garotas de Ipanema ainda passam felizes, rumo ao mar! (Só para dizer que estou no Rio de Janeiro!) E, tambores de chope invadem as calçadas, “porque hoje é sábado e amanhã é domingo, os bares estão cheios de homens vazios…”

Em Brasília, a coisa vai pegar. Teremos a imolação de uma Joana D’Arc tupiniquim. Vai ser condenada sem crime. Primeira mulher presidente. Execrada por bandidos comprovadamente bandidos! Sinceramente, esse filme eu já vi.

Estamos em crise. Mas crise de quê?