Blog do Eliomar

Quem preservar e quem esculachar

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Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (14), pelo jornalista Érico Firmo:

A grande preocupação do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), é até agora tranquilizar os mercados. Compreensível. Sem segurança, investidores retiram dinheiro. Isso gera desemprego, recessão. A situação que vemos hoje. O que me admira não é o medo de melindrar o empresariado. Fico impressionado como não se tem nenhum pudor em anunciar medidas que atingem diretamente a população. Fala-se sem receio de cortar direitos sociais, restringir legislação trabalhista, mudar regras de aposentadorias. Perde-se a noção da razão de existir a coisa pública. E do que é meio.

O cuidado ao lidar com o mercado tem objetivo de evitar que a população seja afetada. O fundamento é o povo. Aliás, a razão de o Estado existir é o povo. Sobretudo os mais necessitados. Em geral, quem mais fala em enxugar o Estado é quem não precisa dele. Há mesmo coisas que precisam ser enxugadas, reduzir a burocracia. Porém, muitas vezes se cobra retirada da ação governamental de certas áreas por pura falta de empatia. De se colocar no lugar de quem precisa. Governo existe para reduzir desigualdades.

Mas anuncia-se aos quatro ventos que se vai mexer em direitos da população. Com o setor financeiro ninguém pode mexer. O que existe em função de quê?

Não é que cortes não sejam necessários. São. Mas não só para a população. O setor industrial muito cobrou ajuste. No pacote que Dilma Rousseff (PT) anunciou em setembro passado, haveria cortes no Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O empresariado foi contra. Todo mundo acha que o governo deve economizar, mas com os outros. Naquilo que o beneficia, ninguém quer ser atingido.