Blog do Eliomar

Dilma é acossada por um sistema que tudo faz para boicotá-la e excluí-la a qualquer custo

32 3

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (12):

Repercutem as declarações da presidente Dilma Rousseff, sinalizando que se fosse reconduzida ao cargo, aceitaria um pacto político que incluísse a antecipação das eleições presidenciais, precedidas pela convocação de um plebiscito para saber se o povo concordaria ou não com a proposta. A revelação foi feita durante entrevista concedida por ela ao jornalista Luís Nassif, na TV Brasil, na última quinta feira. Restaurar os poderes plenos da presidente eleita é pacificar o País e restabelecer a legitimidade, segundo observadores da cena política. Alguns defendem que as eleições sejam gerais – e não apenas presidenciais -, já que sem modificar o perfil do atual Congresso o eventual presidente da República eleito continua refém do fisiologismo.

Já o plebiscito – segundo o mesmo raciocínio – deveria incluir a regulamentação dos instrumentos de democracia participativa, atendendo ao que preconiza o parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente (grifo meu), nos termos desta Constituição”. Assim, requisitos como o direito de se convocar plebiscitos através de projeto de iniciativa popular, e não apenas por convocação exclusiva do Congresso Nacional, seria o principal instrumento para se efetuar uma reforma política sintonizada com a vontade dos cidadãos. Serviria também como ferramenta de resolução de eventuais impasses entre os Poderes da República, como é costumeiro no modelo presidencialista brasileiro.

Aproveitar todos os canais disponíveis para se comunicar com a sociedade é algo fundamental para uma liderança política como a de Dilma, acossada por um sistema que tudo faz para boicotá-la e excluí-la a qualquer custo. As tentativas desenvolvidas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para confiná-la no Palácio da Alvorada têm sido frustradas. O fato de o GSI ser dirigido por um militar linha dura (que traria a esquerda atravessada na garganta, segundo alguns) provavelmente desperta ainda mais a disposição de resistência própria de uma ex-guerrilheira. Esse comportamento tem-lhe granjeado simpatias como foi comprovado nas manifestações de rua, em seu favor e contra o golpe. Ou seja, a perseguição que lhe movem os golpistas só tem aumentado a popularidade da presidente Dilma.