Blog do Eliomar

Ditadura à espreita

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Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (31):

Há muita gente achando que o Brasil precisa também de uma comissão Chilcot para pôr a limpo as denúncias de desvios dos instrumentos investigatórios e processuais penais, no Brasil, desde o julgamento do Mensalão do PT e sua teoria do “domínio do fato” e de protelação e suposto amaciamento do mensalão tucano, bem como os vazamentos seletivos, a prisão preventiva e a delação premiada, usadas à mancheia pela Operação Lava Jato contra membros da antiga situação.

O caso do ex-presidente Lula é o mais emblemático e de grande repercussão no Exterior, sobretudo depois de sua denúncia ao Comitê de Direitos Humanos da ONU de estar sendo perseguido e vítima de campanhas sistemáticas de difamação e pelo atropelo de seus direitos e garantias constitucionais, sobretudo, do devido processo legal.

Os apoiadores de Lula estão convictos de que o objetivo principal é impedir sua candidatura presidencial, em 2018, visto que, apesar de todo o enxovalhamento sofrido, continua a liderar a corrida para o Planalto. O Brasil, para o olhar estrangeiro, virou uma espécie de republiqueta de bananas sul-americana a caminho de uma ditadura.

A resposta a Lula veio na decisão do juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal de Brasília, que aceitou a denúncia contra ele, transformando-o em réu por suposta obstrução da justiça. O magistrado é o mesmo que foi afastado, por ser acusado pelo MPF de atrapalhar e obstruir as investigações da Operação Zelotes. Se for assim, pode ter dado ainda mais suporte às reclamações de Lula perante o organismo internacional. Os documentos que irão embasar a causa de Lula encontrarão olhares atentos, pois o ex-presidente goza de grande prestígio internacional e sua imagem ganha relevo quando comparada aos que dirigem o Brasil atualmente e tomam decisões como se já fossem um governo definitivo, e não provisório.

Lula, segundo seus advogados, não quer privilégios, mas, apenas que as acusações contra ele se deem dentro do esquadro institucional do Estado Democrático de Direito, que exige isenção das instâncias investigatórias. O blog “Vi o mundo” apresentou vídeo no qual são expostas as razões de Lula para recorrer ao Comitê de Direitos Humano das Nações Unidas. O resumo é feito por Geoffrey Robertson, que já advogou para Julian Assange, fundador do Wikileaks, e para o escritor Salman Rushdie e chegou a representou a ONG Human Rihgts Watch contra o general chileno Augusto Pinochet. Na sua ficha consta também sua atuação como juiz de apelações da ONU, tendo sido membro do Conselho de Justiça das Nações Unidas entre 2008 e 2012.