Blog do Eliomar

Parque da Sabiaguaba corre risco de degradação

Editorial do O POVO beste domingo (18) alerta para a constante ameaça de invasão do Parque Natural das Dunas da Sabiaguaba. Confira:

Um dos hábitos da administração pública – em nível municipal, estadual ou federal – é a síndrome da inauguração. Governantes gostam de inaugurar pontes, viadutos, praças e até banheiros públicos, incluindo reformas em obras arruinadas. O problema é que, passada a festa, o equipamento novo ou reformado é esquecido e, em pouco tempo, começa a deteriorar-se, tornando-se imprestável, causando prejuízos econômicos e sociais.

É nesta situação que está o Parque Natural das Dunas da Sabiaguaba, conforme reportagem publicada na edição de sexta-feira no O POVO: “Faixa de praia em área protegida é alvo de ocupação”, mostrando que o local convive com a ameaça constante de invasão. O bioma é extremamente delicado e pode facilmente ser degradado se não for bem protegido.

Segundo constatou o repórter João Marcelo Sena, há várias construções rústicas no local, constituindo-se ameaça ao parque, pois assim começam as invasões dos locais públicos, que depois vão se adensando tornando difícil a retomada do controle da situação. Muitas dessas invasões são organizadas por espertalhões profissionais, que lucram com a situação, vendendo o que não lhes pertence.

Em um “Ponto de Vista” que acompanha a matéria, o jornalista Demitri Túlio exorta o prefeito Roberto Cláudio a tomar para si os cuidados com o parque das dunas; caso contrário, seus auxiliares “continuarão fazendo de conta que administram o equipamento com um conselho gestor inoperante”.

Demitri anota que, desde a criação do parque, há 11 anos, não se nomeou nenhum administrador, não existe sede nem cerca que delimitando os seus mais de 467 hectares.

O jornalista tem razão sobre o descaso com o parque. Quando a reportagem perguntou à Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) sobre a fiscalização da área, foi informada que a responsabilidade seria da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis); esta, por sua vez, informou que fizera “sete ações de retirada de invasões”, mas nada disse sobre as construções que estão na área.

É o velho jogo de empurra, que pode levar a um ponto de não retorno para a salvação do parque.