Blog do Eliomar

Ato da campanha Doria em Fortaleza e um Tasso meio afastado

Da Coluna Fábio Campos, no O POVO deste domingo (20):

Foi um clássico e típico evento de político em pré-campanha presidencial. No alto das dunas da Praia do Futuro, o azul do mar ao fundo, o nome João Doria em letras garrafais estampadas com o verde e amarelo da bandeira figurava o pátio que antecedia a entrada do salão onde o encontro ocorreu. Sol a pino. Por trás das letras, pose para fotos. Doria sozinho. Tasso com Doria. Doria com Geraldo Luciano. Doria com Beto Studart. Doria com os empresários que bancaram o evento. Lá dentro, no ar-condicionado, cerca de 300 convidados em pé, à espera, servidos com acepipes e bebidas. O convite dizia “blazer sem gravata”, um uniforme bem doriano.

Nas conversas dos espectadores (jornalistas, empresários, profissionais liberais), os temas proeminentes eram negócios, economia brasileira, candidatura Doria e o polêmico programa do PSDB na TV que havia ido ao ar na noite anterior. Esse último ponto gerando muitas opiniões controversas.

Começa o evento. Mesas redondas, pratos postos com uma entrada e serviço de bebidas. O microfone é aberto. Beto Studart, presidente da Fiec, o primeiro a falar. Tratou Dória como fato consumado na linha: é candidato e será eleito. Com fala de improviso, dirigiu-se ao prefeito de São Paulo para lembrar que o Ceará precisará de políticas públicas para combater as desigualdades.

Na sequência, o presidente da CDL, Severino Ramalho Neto, leu seu discurso. Procurou ser sóbrio e politicamente amplo. Deu boas vindas ao convidado, porém gastou mais saliva elogiando Tasso Jereissati. Sobrou loas para Camilo Santana e Roberto Cláudio. Jogou todos em um só balaio e os denominou de “inovadores”. Como quem diz: meu santo mercadinho é de todos. O ralo prato principal já começara a ser servido.

Chegou a vez da fala de João Dória. Alguém me perguntou: “Ué, o Tasso não vai falar não?”. Pois é, o anfitrião mais importante do correligionário paulistano se recolheu em seu lugar à mesa. Não falou. Pelo visto, o presidente nacional interino do PSDB não quis se comprometer a fundo com o encontro meticulosamente preparado para ser um ato de campanha presidencial.

O silêncio do senador Tasso e seus comentários protocolares dirigidos aos jornalistas podem ser vistos como um sinal de que Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, é um dos únicos tucanos de bico grosso que apoia o conteúdo do polêmico e criticado programa do PSDB na TV. Tasso, sentado estava, sentado, ficou. Ao lado dele, o executivo (já será tucano?) Geraldo Luciano.

A essa altura, é provável que a maioria dos leitores já conheça o teor do discurso do prefeito de São Paulo na tarde de sexta-feira, em Fortaleza. Afinal, toda a imprensa lá estava e fez os registros mais apimentados. Logo depois do evento, o portal do O POVO já trazia trecho que também foi reproduzido pelo jornalismo on line Brasil a fora: “Sem-vergonha, preguiçoso, mentiroso e covarde… Aprenda de vez que o Brasil não é seu. Venha aqui disputar eleição, com quem estiver, porque você vai perder. O Brasil das pessoas de bem saberá dar uma resposta nas urnas”, disse o prefeito acerca de Lula, seu alvo preferencial.

O evento recebeu o gracioso batismo de “I Fórum Empresarial de Gestão”. Balela. Foi política do começo ao fim.