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Tasso e o palanque pró-Alckmin no Ceará

Em artigo sobre sucessão presidencial, o sociólogo e consultor político Luiz Cláudio Ferreira Barbosa avalia as perspectivas dos tucanos no Ceará. Confira:

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) manteve excelente relação político-administrativa com o governador Camilo Santana (PT), nos últimos três anos. Tasso não fez oposição na seara estadual, com isso não tinha discurso ideológico antagônico ao modelo administrativo-econômico do atual chefe do executivo estadual. O PSDB, secção Ceará, deverá fazer do palanque do presidenciável Geraldo Alckmin o novo embrião do seu discurso oposicionista ao grupo dos irmãos Ferreira Gomes, na política local.

Camilo Santana tem noção do realinhamento político dos partidos no tabuleiro eleitoral cearense. O governador deverá fazer o palanque anti-Geraldo Alckmin com apoio aos presidenciáveis Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT). As agremiações partidárias pró-tucano (DEM-PPS-PSC-PHS-PTB-PSB e outros), que são aliados de Camilo, certamente deverão consultar seus diretórios nacionais. A base aliada governista poderá ficar reduzida somente a esse núcleo de partidos: PT-PDT-PCdoB-PMDB e os partidos pequenos).

O presidente estadual do PSDB, o ex-deputado Francini Guedes, já compreendeu a necessidade de dialogar com as seguintes legendas oposicionistas na política local: PR (Lúcio Alcântara), PSD (Domingos Neto), SD (Genecias Noronha) e PROS (Marcelo Mendes).

Francini, num segundo momento, deverá negociar ou conversar com os partidos que serão parceiros a nível nacional no palanque do presidenciável Alckmin, porém, na esfera estadual, esses partidos são aliados da reeleição do governador Camilo Santana: PTB (Arnon Bezerra), PP (Adail Carneiro), DEM (Chiquinho Feitosa e Moroni Torgan), PRB (Ronaldo Martins) e PPS (Alexandre Pereira).

Alckmim deverá construir a maior coligação partidária, para a sua candidatura presidencial, com quase 60% do tempo da televisão e rádio, nas eleições do próximo ano. O tucano tentará ainda verticalizar a sua enorme coligação, em estados chaves do Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará.

Camilo é refém de uma situação político-eleitoral que não dependeria somente dos diretórios estaduais dos seus partidos aliados. O PSB nacional poderá fazer aliança eleitoral com o PSDB nacional.

*Luiz Cláudio Ferreira Barbosa,

Sociólogo e consultor político.