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Sem Lula no páreo, Ciro pode se aproximar de Marina Silva

Com o título “Ciro Gomes e o novo campo democrático sem Lula – Marina Silva e o diálogo eleitoral com PDT-PSB-PC do B”, eis artigo de Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, sociólogo e consultor político. Ele faz uma análise do cenário da disputa presidencial 2018. Na ausêncai de Lula, Ciro pode se aproximar de Marina Silva. Confira:

O provável presidenciável pedetista, o advogado Ciro Gomes, já começa o processo de discussão do campo político democrático ou antigo campo centro-esquerda do País sem a candidatura do petista Lula, do PT. Ciro tem compreensão do processo rápido e gradual de deterioração do capital político do Lula perante aos novos fatos negativos: o discurso anti-Moro e o julgamento no Tribunal Regional Federal-4. O PDT deverá começar uma série de críticas ao PT, em relação à possibilidade do campo democrático brasileiro não ter representante no segundo turno da eleição presidencial de 2018.

O PT não esperava que o processo jurídico no TRF-4 corresse tão rápido, ao ponto de já marcar o julgamento do ex-presidente para o dia 24 de janeiro de 2018. Lula perdeu a capacidade político-eleitoral de reorganizar esse mesmo campo democrático numa coligação partidária: PT-PSB-PDT e o PC do B. A direção nacional pedetista deverá cobrar responsabilidade politica dos petistas pela fuga do cidadão-eleitor lulista para a pré-candidatura presidencial da ex-senadora Marina Silva (Rede) nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste, já na região nordeste o grande beneficiado é o ultranacionalista Jair Messias Bolsonaro (PEN).

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) não vai esperar Lula tentar impor a substituição do seu nome por alguém do PT em detrimento dos outros postulantes do campo democrático. Ciro Gomes deverá defender o processo da operação Lava-Jato e o seu apoio popular na sociedade civil, assim como abandono do discurso de golpe, no caso específico do impedimento do mandato da presidente Dilma Rousseff pelo Congresso Nacional e o STF.

A pré-candidata a presidência da República, a ex-senadora Marina Silva, deverá ser procurada por essa nova frente partidária (PDT-PSB-PC do B) de centro-esquerda, sem a presença do PT. Marina e a direção nacional da Rede não tinham dúvida da necessidade da construção de um novo campo democrático, em função do derretimento político-eleitoral de Lula nos seus processos jurídicos. Ciro pode começar o processo de aproximação do campo democrático com o grupo político de Marina Silva para construção simbólica da nova centro-esquerda brasileira, nas eleições de 2018.

*Luiz Cláudio Ferreira Barbosa,

Sociólogo e consultor político.