Blog do Eliomar

A verdade sobre a saúde pública de Fortaleza

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Em artigo enviado ao Blog, o professor da UFC e sociólogo João Arruda aponta que a saúde pública de Fortaleza é considerada uma das melhores entre as capitais brasileiras, mesmo tendo herdado um sistema caótico. Confira:

A grande mídia nacional vem dedicando um espaço crescente do seu noticioso à grave crise que assola a saúde pública em nosso País, penalizando dezenas de milhões de brasileiros, afinal, 85% da nossa população depende, exclusivamente, do Sistema Único de Saúde.

Difícil é o dia em que não se publica uma denúncia grave comprovando a falência do sistema em um dos Estados da Federação. E a tragédia da saúde pública é democrática, espalha-se por todas as regiões do País. E até estados considerados ricos, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e a emblemática Brasília, travam uma acirrada disputa pela primeira colocação no ranking de pior assistência no sistema público de saúde.

A despeito da Constituição Brasileira, no seu Art. 196, garantir que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, permitindo ao cidadão o acesso igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação, o Sistema Único de Saúde –SUS-, por negligência e cumplicidade dos sucessivos governos federais, encontra-se na UTI, em estado quase terminal.

Sabemos que essa crise da saúde tem múltiplas causas. São notórios os problemas nas áreas de infraestrutura, gestão, organização e modelo de atenção. Mas o problema da saúde é, principalmente, de financiamento. Burlando o preceito constitucional que garante o financiamento da saúde, os sucessivos governos federais criaram mecanismos de desvinculação orçamentária que vêm aprofundando o subfinanciamento da Seguridade Social e, consequentemente, do SUS.

Sem falar da alta sonegação fiscal e da corrupção endêmica do sistema, a criação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), a imoral política de desoneração das empresas, o baixo crescimento da economia brasileira e o crescente serviço da dívida interna, dívida, por sinal, nunca auditada, custam à sociedade um rombo superior a 1 trilhão de reais anualmente, contribuindo, significativamente, para o esvaziamento das receitas que iriam financiar a Seguridade Social.

Nessa lógica do absurdo, a participação relativa da União no financiamento do SUS vem caindo sistematicamente, passando de 72%, em 1993, para 40%, em 2016. Encontra-se aí, na irresponsabilidade dos diferentes governos federais, e não nos gestores de estados e municípios, a causa primária da nossa tragédia na área da saúde pública.

Em Fortaleza, na contramão do que ocorre nacionalmente, a administração Roberto Cláudio vem aumentando fortemente os investimentos na saúde e garantindo aos fortalezenses o acesso à saúde em crescente qualidade.
Nossa rede de atenção primária constitui-se de 110 Postos de Saúde, atendendo de 7 da manhã às 7 da noite, todos com farmácias, sendo que vinte novos postos foram construídos na atual gestão, o que permitiu ampliar a cobertura do PSF (Programa de Saúde da Família) de 18% em 2012 para 62% em 2016. Agora, avança-se na qualificação da rede hospitalar com a construção do IJF2, reforma e ampliação de Frotinhas e Gonzaguinhas, além da ampliação do Hospital da Mulher Zilda Arns e Nossa Senhora da Conceição e a construção de cinco UPAs municipais. Isso garante uma ampliação de mais de 400 novos leitos em nossa Capital. Ainda em 2018, teremos uma nova UPA no Bairro do Dendê.

Mesmo tendo herdado um sistema de saúde caótico, considerado o quinto pior entre as capitais brasileiras, a saúde pública de Fortaleza, no curto espaço de tempo, conseguiu dar um grande salto de qualidade. Hoje, o cidadão fortalezense usufrui de um serviço de saúde pública considerado um dos melhores entre as capitais brasileiras, com a garantia de abastecimento e distribuição de medicamentos, com a inédita estrutura de Centrais de Distribuição nos Terminais, como suporte aos postos.

Infelizmente, pretensas vestais da saúde de Fortaleza, com um viés rancoroso, amparado em uma anacrônica e partidarizada prática sindical, fazem olhos cegos ao grande avanço da saúde pública oferecida pela administração Roberto Cláudio.