Blog do Eliomar

Precisamos todos rejuvenescer

Com o título “Nova roupa colorida”, eis artigo da jornalista Iana Soares, que pode ser conferido também no O POVO. Aborda o direito que todos temos de apostar em renovação. Em todos os sentidos. Confira:

Às vezes a gente nem sente, nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança já aconteceu. Raspei o cabelo no penúltimo dia de 2017. Um ano velho, desses que não cabem mais no corpo e pedem as uvas, os fogos, os abraços, as esperanças. Sei que já estamos no dezoito do primeiro mês, mas tenho desejado saúde e alegrias para desconhecidos em encontros fortuitos, banais e, ainda assim, carregados daquela energia juvenil, que olha nos olhos e confia: VDC. É meu amigo, vai dar certo.

Tudo é novo, o jornal é novo, a vida, até o calor de todo ano, agora, é diferente, gruda mais no corpo, vira assunto não só no elevador, também nas praças. Repararam? Ainda conseguimos ver as nuances de um clima que parece sempre o mesmo, mas não é. Comecei o ano com medo de perder os cabelos por uma metástase. Fiquei boa. No fim, arrisquei perdê-los por vontade própria. Agora sem cachos, penso que a cabeça esquenta mais, é verdade, mas o vento… Ah, faz cócegas de um jeito inédito, se esfrega nas orelhas como um amor novo. Como o prazer das primeiras vezes.

Uma mulher de cabelos curtos atrai olhares, perguntas, abraços, mãos na cabeça, comemorações, dúvidas. Me falam de coragem, leveza, estilo, beleza, ousadia. Tem quem pergunta o porquê. Explico que o corte anterior estava estranho e que, se eu não gostasse, o cabelo cresceria (um “viva” para os clichês que nos garantem a sobrevivência). Um dos melhores comentários foi de uma colega de trabalho que, depois de dizer que eu estava linda, emendou com “é a primeira vez que estou te vendo de verdade”. Foi a primeira vez que a vi com um sorriso daquele tamanho.

Ontem, uma moça perguntou se já tinham me dito que eu estava “a cara da Elis”. Muita gente achou e eu acho é graça. As costeletas, a franjinha, é isso, claro. Depois penso que é outra coisa qualquer que se instalou. No presente, a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais. Tenho andado com esse verso, meio pimentinha encantada com Belchior, mas arriscando uma versão saltitante, balançando muito a cabeça, sem ficar assanhada por fora, sentindo uma maravilha por dentro. Precisamos todos rejuvenescer. Temos o ano inteiro para isso.

*Iana Soares

ianasoares@opovo.com.br

Jornalista do O POVO.