Blog do Eliomar

Um dia de avanços, outro de retrocesso

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Com o título “Um dia de avanços, outro dia de retrocesso” eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira. O texto aponta para contradições entre gestão e nomeações políticas no âmbito federal. Confira:

Na origem de muitas das crises de governabilidade que o Brasil enfrenta de tempos em tempos destaca-se, aparecendo com alguma dimensão em quase todas elas, o sério problema da forma como os cargos de confiança são ocupados na estrutura pública. A indicação política segue como um fator de influência negativa e funciona como a causa de muitas das situações nas quais se observa desvios de finalidades que resultam em prejuízo para o Estado.

O Brasil vive, nesse sentido, um momento de contradições. De um lado, na última sexta-feira, houve uma histórica decisão do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal (CEF), retirando da presidência da República o poder quase absoluto que tinha de fazer indicações para as 12 vice-presidências. Número, aliás, já em si extravagante. Agora, o colegiado também está apto a fazer a escolha dos ocupantes dos cargos, além de se prever uma obrigatória aprovação dos nomes pelo Banco Central e de o processo passar a exigir o uso de consultorias para seleção dos executivos.

São mudanças importantes, claro, mas que não garantem uma situação futura de ocupação dos cargos por critérios absolutamente meritórios.

A “inteligência” política haverá de encontrar brechas, através das quais buscará meios de burlar a boa intenção da medida, o que representa a necessidade de se manter uma vigilância firme para que tal distorção encontre resistência. Caso, claro, venha a se efetivar.

Por outro lado, o mesmo País que encontra razões para ânimo com o que acontece na CEF assiste, na manhã desta segunda-feira, a posse da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) no estratégico posto de ministra do Trabalho, em meio a longa batalha jurídica. Indicação puramente política, sem qualquer compromisso de levar ao cargo, no momento delicado de implantação de uma reforma trabalhista controversa, um nome tecnicamente habilitado para ajudar na consolidação das mudanças profundas que a legislação do setor acaba de absorver. São dois exemplos que, acontecendo simultaneamente, nos ajudam a entender que o desafio de fazer o Brasil andar para frente exige uma mobilização e uma consciência social que, infelizmente, ainda estamos a buscar. Há avanços isolados que convivem com a reiteração de práticas que precisam ser enterradas como necessidade de construção de uma sociedade mais justa.